Nem tudo o que está na internet corresponde à verdade.
Isso a maioria das pessoas já sabe. O que muitos talvez ainda desconheçam é que
a Inteligência Artificial (IA), apesar dos avanços tecnológicos, também pode
cometer erros e produzir informações incorretas.
Ao realizar uma pesquisa na internet, bastando digitar o
nome de uma empresa ou de uma pessoa em um mecanismo de busca, os sistemas de
IA podem gerar um resumo com informações que nem sempre refletem a realidade
dos fatos.
O empresário Tiago Gouveia, da Hatikvah Participações
Ltda., afirma ser vítima desse tipo de situação. Segundo ele, sua honra, imagem
e reputação foram atingidas por um conteúdo inverídico gerado por Inteligência
Artificial em um provedor de busca na internet. Diante do caso, ele estuda a
adoção de medidas extrajudiciais e judiciais contra o provedor responsável.
De acordo com Carlos Henrique Cazelatto, consultor
especialista em compliance, segurança pública e privada, as respostas
produzidas por sistemas de Inteligência Artificial são dinâmicas e podem variar
de uma consulta para outra, gerando textos diferentes em momentos distintos.
Segundo ele, essas respostas podem conter informações tecnicamente contestáveis
quanto à sua autenticidade.
Em uma pesquisa realizada por meio de um telefone
celular sobre a empresa Hatikvah Participações, sediada em Barueri (SP), o
sistema de IA do Google apresentou um texto afirmando que a empresa estaria
sendo investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Estado de São
Paulo por suposto envolvimento em um esquema milionário de fraude fiscal,
adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro para a facção criminosa
Primeiro Comando da Capital (PCC).
No entanto, segundo o empresário e laudo pericial
apresentado por sua defesa, a Hatikvah Participações não figura entre os alvos,
investigados ou suspeitos nas apurações conduzidas pela Polícia Federal e pelo
Ministério Público relativas ao esquema mencionado.
Ainda conforme o laudo pericial, a referência à empresa
teria sido gerada por uma associação equivocada feita pelo sistema de
Inteligência Artificial, que teria fundido indevidamente informações
provenientes de dois conjuntos distintos de notícias que compartilham termos
semelhantes. O documento também aponta que o conteúdo apresentado não indica
fontes que sustentem as afirmações, circunstância que, segundo a perícia,
contribui para a divulgação de uma narrativa sem respaldo factual sobre a
empresa.
Para Carlos Henrique Cazelatto, o episódio reforça a necessidade de que os usuários mantenham senso crítico diante das respostas geradas por Inteligência Artificial e sempre busquem conferir as informações em fontes oficiais e confiáveis antes de aceitá-las como verdade.
Carlos Affonso de Souza, especialista em informática, em artigo publicado pelo UOL, afirma que uma máquina que sabe conversar sobre a consciência das máquinas não significa que ela tenha, de fato, adquirido consciência. As máquinas, segundo ele, apenas processam informações às quais tiveram acesso, mas não sabem investigara natureza da consciência.
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