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Padre iniciado na Maçonaria reacende debate sobre proibição da Igreja Católica

A presença de padres em templos maçônicos sempre despertou curiosidades

  

Um padre iniciado na Maçonaria violaria o Código de Direito Canônico da Igreja Católica, segundo entendimentos de alguns juristas da área. Desde 1738, diversas bulas papais condenam a Maçonaria e proíbem os católicos de integrar a ordem. Muitas delas foram baseadas nos livros escritos pelo francês Leo Taxil, que deturpou inúmeras informações sobre a ordem e revelando publicamente, anos depois, ter sido financiado pelo Vaticano na época do Papa João 23. (Leia aqui matéria sobre Taxil).

Em novembro de 1983, Joseph Ratzinger, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e posteriormente Papa Bento 16, publicou declaração reafirmando que permanecia imutável o parecer negativo da Igreja em relação às associações secretas, incluindo a Maçonaria, “pois seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas”.

“Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão”, dizia a nota, acrescentando que a decisão tinha respaldo do Papa João Paulo II.

Segundo a Igreja Católica, a adesão à Maçonaria é considerada gravemente errada devido à sua visão de mundo e aos seus rituais. A doutrina católica reitera que padres, bispos ou fiéis não podem ser simultaneamente católicos e maçons. Alguns bispos e padres mais conservadores exigem que seus membros abandonem as fileiras da ordem maçônica para manterem-se em comunhão e poder receber os sacramentos.

Sob o contexto da Maçonaria, entretanto, não existe impedimento para a iniciação de clérigos. A instituição não possui restrições dogmáticas à participação de padres ou líderes religiosos de quaisquer crenças.

Dom Orani proferiu palestra em templo maçônico

Dom Orani Tempesta em encontro com maçons na Expô Religião, no Rio de Janeiro


O cardeal Dom Orani Tempesta, atual arcebispo do Rio de Janeiro, mantém há décadas laços de amizade e diálogo com maçons, desde o período em que foi bispo em São José do Rio Preto. Na época, foi convidado e aceitou participar de seminários realizados em templos maçônicos para proferir palestras.

Quando a cidade de São José do Rio Preto completou 150 anos, ele subiu ao púlpito da Igreja Presbiteriana Independente (IPI) para participar, ao lado de pastores protestantes, de um culto ecumênico em comemoração ao aniversário do município.

O cardeal é conhecido por sua postura aberta ao diálogo com diferentes segmentos da sociedade, embora sempre em conformidade com a doutrina católica, que veta a participação de clérigos na Maçonaria. Ainda assim, nunca hesitou em comparecer a eventos quando convidado.

O cardeal Dom Orani visita estande da Maçonaria na Expô Religião


Em 2018, esteve em visita ao estande da Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro durante a Expô Religião, onde foi recepcionado por autoridades maçônicas e integrantes das ordens paramaçônicas Filhas de Jó e Ordem DeMolay. Na ocasião, deixou-se fotografar ao lado dos integrantes devidamente paramentados. Ele também participou de celebração promovida pela Ordem de Malta no clube de golfe do Rio de Janeiro.

Padre Márcio, apresentador da Rede Vida, nunca hesitou em proferir palestras para maçons


Padre Márcio Tadeu, conhecido nacionalmente por apresentar diariamente na Rede Vida o programa dedicado ao Santo do Dia, também proferiu palestras em templos maçônicos voltadas a maçons, esposas e integrantes de ordens paramaçônicas. Segundo relatos, chegou a receber convite para ingressar na Maçonaria, mas, ao solicitar autorização ao então bispo Dom Paulo Mendes Peixoto, acabou sendo transferido imediatamente de paróquia e de cidade.

Dom Orani dá benção especial na Igreja de Malta, que é ligada à Maçonaria


Missa dentro do templo maçônico

Padre Vicente Zacaron celebra missa dentro de templo maçônico em Juiz de Fora

Em 14 de março de 2017 o padre Padre Vicente Zacaron celebrou missa dentro do templo da Loja Maçônica Fidelidade Mineira, em Ação de Graças pelo 147 aniversário da loja situada em Juiz de Fora (MG). Foram registradas a presença de 125 maçons, esposas e filhos. Foi a primeira vez que uma missa é celebrada dentro de um Templo Maçônico em Juiz de Fora.

Padre Vicente, durante celebração de missa dentro de templo maçônico em Minas Gerais

Bispo defendeu união entre as partes

Em 2010 o então bispo emérito da Diocese Itabira (MG), Dom Lelis Lara, na época era Consultor Jurídico da CNBB, foi o centro das atenções de um eclético e seleto público, quando proferiu inédita palestra sobre as relações entre a Igreja Católica e a Maçonaria, no Templo da Loja Maçônicas União de Ipatinga, no centro de Ipatinga. O religioso palestrou a convite do então Venerável Mestre da Loja União de Ipatinga, Ednaldo Amaral Pessoa, que tem como um dos pilares de sua gestão a realização de sessões públicas onde são realizadas palestras, abertas à comunidade, sobre temas diversos e de grande interesse de toda sociedade, não apenas dos maçons e seus familiares. 

Segundo Dom Lara, o Concílio Vaticano II (1963-1965) escancarou as portas e janelas da Igreja para o mundo, e que depois do Concílio o propósito da Igreja é o de aproximar todas as pessoas do mundo, sem preconceito, sejam elas cristãs ou não.

 Dom Lara disse que “quando se fala de Igreja e Maçonaria, muitas vezes se estabelece ou se imagina um confronto entre essas duas entidades”, mas não deveria ser assim, porque católicos são cristãos e os maçons também, senão todos, certamente grande parte. “E Jesus, ao final de sua vida, deixou para os seus seguidores o testamento de que devemos amar uns aos outros”. Mas, segundo o bispo, esta palavra de Jesus não foi sempre bem entendida, e que às vezes é entendida de acordo com a índole das pessoas, e “as pessoas mais radicais muitas vezes ficam com o coração armado, na defensiva ou no ataque, quando, como filhos de Deus, deveriam viver como irmãos, com o coração desarmado, respeitando as diferenças”.

Ao discorrer sobre o relacionamento entre a Igreja e a Maçonaria, Dom Lara disse que “ao longo da história, aconteceu muita coisa que¸ infelizmente, devemos lamentar. As relações entre estas duas instituições foram tensas. Mas essas tensões não tinham a mesma intensidade em todas as regiões. Antes do Concílio Vaticano II o posicionamento da Igreja Católica em relação à Maçonaria era muito severo. O cânon 2335, do antigo Código de Direito Canônico, estabelecia excomunhão para quem ingressasse na Maçonaria ou em outras associações que maquinassem contra a Igreja ou autoridades civis legitimamente constituídas”. "No atual código de Direito Canônico esta penalidade não consta. Aliás, a palavra Maçonaria não é conhecida no atual código de Direito Canônico. O cânon 1374 desse Código penaliza o católico que ingressar em associação que maquina contra a Igreja. Não se refere explicitamente à Maçonaria”, enfatizou o religioso.

Dom Lelis Lara ao final de sua palestra ainda brindou os presentes tocando algumas músicas no piano

Livro fala sobre padres na Maçonaria

O livro “Padres na Maçonaria – Por que um Padre se torna Maçom?”, de autoria de Hailton Meira da Silva, da Editora Maçônica “A Trolha”, é uma excelente obra que chega às mãos por intermédio do Círculo do Livro Maçônico (CLM), da mesma editora. De fácil leitura e organização didática, o autor pretende estabelecer um paralelo entre a presença da maçonaria na igreja católica e o ideal de liberdade dos padres no Brasil. O pode ser adquirido na Amazon (clique aqui).

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