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| 1. Nelsinho Gimenez Ribeiro construiu sua trajetória em Adolfo entre a fotografia, a política e a participação na vida comunitária. |
Nelsinho
aprendeu ainda menino a fotografar e a revelar filmes. A atividade, que começou
como aprendizado, logo se transformou em profissão. Ele saiu cedo de casa para
trabalhar como fotógrafo em Promissão e, em 5 de janeiro de 1977, aos 23 anos,
mudou-se para Adolfo.
Na
cidade, montou seu estúdio e, certa vez, foi à agência do Bradesco, então o
único banco de Adolfo, para descontar um cheque recebido de um cliente. Foi ali
que conheceu Cecília, uma jovem que o atendeu. Encantado com a moça, iniciou um
relacionamento com ela. Os dois se casaram em 1981.
A entrada na política
A
política entrou na vida de Nelsinho quase por acaso. Em 1978, o então prefeito
Adolpho Moreira Filho o convidou para acompanhá-lo a uma audiência em São José
do Rio Preto com o governador Paulo Maluf, que percorria o interior paulista
com o chamado Governo Itinerante.
Nelsinho
foi como fotógrafo. Depois do desembarque no aeroporto e da recepção à
comitiva, Maluf passou a atender os prefeitos. A primeira audiência foi
justamente com o prefeito de Adolfo, e Nelsinho acompanhou tudo de perto.
Na viagem
de volta, Adolpho Moreira Filho o convidou para ingressar na Arena (Aliança
Renovadora Nacional), seu partido. “Eu nunca tinha pensado em política. A
fotografia estava indo bem e eu estava consolidando minha carreira profissional”,
recorda.
Mesmo
assim, aceitou o convite. Em 1982, disputou sua primeira eleição, como
candidato a vice-prefeito na chapa de Enos Vergínio dos Santos. A disputa teve
cinco candidatos a prefeito e terminou com a vitória de Arcendino Stucchi.
Em 1988,
por insistência de amigos e do grupo político ao qual estava ligado, Nelsinho
concorreu a vereador e foi o mais votado daquele pleito. Depois de cumprir o
mandato, decidiu não disputar novas eleições, embora continuasse atuando nos
bastidores e ajudando companheiros nas campanhas de 1992, 1996 e 2000.
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| A fotografia foi a primeira paixão profissional de Nelsinho, que registrou casamentos, batizados, aniversários e inúmeros acontecimentos sociais e políticos da região. |
De volta às urnas
Em 2004,
João Boca, que já havia sido prefeito de Adolfo entre 1997 e 2000, procurou
Nelsinho e o convidou para ser seu candidato a vice-prefeito. Ele aceitou. A
chapa venceu a eleição e Nelsinho passou a atuar diretamente na administração
municipal, assumindo diferentes funções e acompanhando diversos setores da
prefeitura.
A nova
atividade praticamente encerrou sua carreira na fotografia. “No começo até
tentei conciliar a prefeitura com o meu foto, mas, por causa dos inúmeros
compromissos assumidos na vida pública, tive que abandonar a fotografia,
deixando em meu lugar o Careca, um colaborador que, desde criança, já me
ajudava”, conta.
João Boca
e Nelsinho foram reeleitos em 2008 e permaneceram no comando do município até
2012. Na eleição daquele ano, Nelsinho foi escolhido pelo grupo político para
disputar a prefeitura. Perdeu por uma diferença inferior a 1% dos votos.
Tentou
retomar a fotografia, sua grande paixão, mas acabou se aposentando em 2013. Não
conseguiu, porém, ficar parado. A convite do empresário e amigo Sérgio Martins,
passou a atuar no setor de entretenimento, participando do Projeto Festival de
Lazer, que levava camas elásticas e brinquedos infláveis a dezenas de cidades
do interior paulista.
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| Nelsinho recebendo homenagens da Câmara Municipal de Guaiçara em 2022 |
16 anos como vice-prefeito
Em 2016,
Nelsinho recebeu novo convite para disputar a vice-prefeitura, desta vez na
chapa de Isael Fernandes, o Chem. A dupla venceu a eleição e foi reeleita em
2020, encerrando o mandato em 2024. Com isso, Nelsinho completou quatro
mandatos como vice-prefeito de Adolfo, totalizando 16 anos no cargo.
A
longevidade política é um dos aspectos mais peculiares de sua trajetória.
Nelsinho não apenas ocupou o cargo de vice-prefeito por quatro mandatos, como
conseguiu manter uma relação harmoniosa com os prefeitos titulares com quem
trabalhou.
Na
política brasileira, carreiras tão longas são mais comuns entre vereadores e
deputados, que não têm limite de reeleição, ou entre prefeitos que retornam ao
cargo em períodos diferentes. O caso de Nelsinho, porém, chama a atenção pela
permanência como vice-prefeito durante 16 anos consecutivos.
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| Da esquerda pra direita: Joaquim Lopes, Nelsinho, Adolpho Moreira Filho, Aparecido Rosa, Jandir Alves Penteado, e assessor municipal O fotógrafo que virou a voz das administrações |
Antes de
ingressar definitivamente na política, Nelsinho havia construído uma sólida reputação
profissional. Fotografou casamentos, batizados, aniversários, eventos políticos
e sociais e ficou conhecido como um dos principais fotógrafos da região. Sua
agenda era constantemente preenchida por compromissos.
A
experiência diante das câmeras também ajudou na vida pública. Acostumado a
lidar com pessoas e situações diversas, Nelsinho desenvolveu rapidamente outra
habilidade: a oratória.
Tornou-se
um bom orador e passou a ser presença frequente nas solenidades oficiais.
Muitas vezes era chamado para representar o prefeito e falar em nome da
administração.
De
fotógrafo, transformou-se também em uma das principais vozes das administrações
municipais.
Agora,
aos 72 anos, ao receber o Título de Cidadão Honorário de Adolfo, Nelsinho terá
reconhecida oficialmente uma história que começou em 1977, quando chegou à
cidade com apenas 23 anos, uma máquina fotográfica e o sonho de construir sua
vida profissional.
Quase
cinco décadas depois, sua trajetória está definitivamente ligada à história de
Adolfo.
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| Fac-simile da proposta que concedeu o título para Nelsinho |
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| Jornal noticiava audiência do governador Maluf com o prefeito de Adolfo |





