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Yiya Murano: a socialite que virou símbolo do crime por envenenamento na Argentina

 

Investigações revelaram esquema de golpes financeiros e mortes suspeitas com cianeto em Buenos Aires; caso chocou o país e terminou em condenação e posterior indulto

Mercedes Bolla Aponte de Murano, conhecida como “Yiya Murano”, ficou marcada na história criminal argentina como a chamada “envenenadora de Monserrat”. Ela foi acusada de assassinar três amigas usando cianeto, em meio a um esquema de dívidas e golpes financeiros.

O caso veio à tona após a morte de sua prima, Carmem Zulema Mesma del Giorgio de Venturini, em 24 de março de 1979, no bairro de Monserrat, em Buenos Aires. Inicialmente, a morte foi atribuída a causas naturais, mas a descoberta do desaparecimento de uma nota promissória levantou suspeitas. Durante a investigação, o porteiro do prédio relatou a presença de Murano no local no dia da morte, carregando doces e solicitando acesso ao apartamento da vítima.

A autópsia revelou altas quantidades de cianeto no corpo, o que levou a polícia a reabrir outras mortes semelhantes. Duas amigas de Murano — Nilda Gamba e Lelia Formisano de Ayala — haviam morrido semanas antes, ambas em circunstâncias inicialmente consideradas naturais. A exumação dos corpos confirmou envenenamento por cianeto.

As investigações apontaram que Murano mantinha um esquema de empréstimos fraudulentos, prometendo altos rendimentos financeiros às vítimas. Todas as mulheres mortas teriam relação com dívidas ou cobranças envolvendo a acusada.

Em 1979, Murano foi presa em sua residência em Buenos Aires. Seu filho, Martín Murano, tinha 13 anos na época e só compreenderia a dimensão das acusações ao ver a cobertura da imprensa. Ele posteriormente declarou que a mãe era uma figura distante e fria, e relatou episódios que levantaram suspeitas sobre uma possível tentativa de envenená-lo.

Durante o processo, Murano chegou a responder em liberdade e ganhou notoriedade ao participar de um programa de televisão apresentado por Mirtha Legrand, negando todas as acusações. Em 1985, foi condenada à prisão perpétua. Em 1993, acabou beneficiada por um indulto concedido pelo presidente Carlos Menem.

Yiya Murano morreu em 2014, em uma casa de repouso em Buenos Aires. O caso permanece um dos mais conhecidos da crônica policial argentina, tendo inspirado livros e produções documentais, incluindo obras baseadas no relato de seu filho.

Carlos Murano escreveu um livro para contar em detalhes as mazelas de sua mãe assassina



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