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| Dener Lourenço defronte a Grande Loja Unida da Inglaterra |
Nelson Gonçalves, especial para a Folha2
O
capixaba Dener Lourenço, de 42 anos, há oito anos morando na Inglaterra,
tornou-se maçom no Brasil e agora é membro da Grande Loja Unida da Inglaterra
(GLUI), considerada a “loja mãe” de todas as lojas maçônicas do mundo.
Atualmente, ele trabalha como motorista dos tradicionais ônibus vermelhos de
dois andares de Londres, os famosos AEC Routemaster, mas dedica parte de seu
tempo livre a uma atividade bastante peculiar: atuar como uma espécie de guia
maçônico para irmãos brasileiros que visitam a capital britânica.
Segundo
Dener, o objetivo é proporcionar aos visitantes uma experiência diferenciada,
aliando turismo, cultura e conhecimento histórico da Maçonaria. “Trata-se de
uma experiência única e enriquecedora. É uma oportunidade não apenas turística,
mas também de aprofundamento nos valores e na história da nossa ordem”,
explica.
Nascido
em Vila Velha, mas criado em Vitória, Dener atuava como empresário no ramo de
entregas rápidas por aplicativo antes de mudar-se para a Inglaterra. No Brasil,
foi iniciado em 2016 na Loja “Ordem e Perseverança nº 3457”, em Vitória (ES), filiada ao Grande
Oriente do Brasil (GOB).
“Meu
sonho sempre foi um dia poder ser filiado à Grande Loja da Inglaterra, onde
tudo começou no século 18”, destaca. A primeira Grande Loja da Inglaterra foi
fundada em 24 de junho de 1717, após a união de quatro lojas maçônicas
londrinas, marco considerado o início da Maçonaria moderna. O reconhecimento da
Grande Loja Unida da Inglaterra é considerado fundamental para as demais
potências maçônicas do mundo, servindo como referência máxima de regularidade,
legitimidade e intervisitação fraterna.
Durante os roteiros organizados por Dener, os visitantes conhecem importantes marcos históricos da Maçonaria, incluindo a sede da Grande Loja Unida da Inglaterra, templos históricos e outros locais de relevância simbólica e cultural em Londres.
Para
facilitar a estadia dos irmãos brasileiros, ele também oferece recepção no
aeroporto, auxílio no deslocamento até o hotel e organização de roteiros
personalizados. Dener desaconselha os visitantes a alugarem carros na
Inglaterra, alertando para as dificuldades de adaptação ao sistema de trânsito
britânico, conhecido como “mão inglesa”, no qual os veículos circulam pelo lado
esquerdo da via e o volante fica do lado direito do automóvel.
“Quem não
está acostumado corre o risco de causar acidentes e receber inúmeras multas”,
alerta. Segundo ele, nas áreas centrais de Londres a velocidade máxima costuma
ser de 20 milhas por hora, equivalente a cerca de 32 quilômetros por hora, e o
controle é rigoroso. Em alguns trechos, inclusive, a circulação é permitida
apenas para ônibus e táxis.
Outro
ponto destacado por Dener é a severidade da legislação britânica em relação ao
consumo de bebidas alcoólicas por motoristas. De acordo com ele, uma simples
taça de vinho ou copo de cerveja pode colocar o condutor acima do limite
permitido, resultando em multas pesadas, suspensão da habilitação e até prisão.
Já
cidadão britânico, Dener afirma não ter planos de retornar ao Brasil. “A
Inglaterra é um dos países que mais oferece benefícios aos trabalhadores. Temos
horários flexíveis e atendimento médico gratuito 24 horas”, comenta.
Para realizar os passeios e acompanhamentos maçônicos, ele costuma
cobrar cerca de 200 libras esterlinas, valor equivalente a aproximadamente R$
1.300. Dener também mantém o perfil “Britishflix” no Instagram, voltado à vida
em Londres e à Maçonaria, além de um grupo exclusivo no “Close Friends”
destinado apenas a maçons interessados em conteúdos e informações sobre a ordem
no Reino Unido. Interessados podem contactá-lo pelo Whatsapp +44
07949286005.
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| Sede da Grande Loja Unida da Inglaterra, onde tudo começou em 17117 |
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| O Big Ben e os ônibus vermelhos de dois andares são pontos marcantes de Londres |
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| Dener (à direita) com R.W. Bro. George Pippon Francis, Past-Grão-Mestre Assistente da Grande Loja Unida da Inglaterra |




