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| Melvin Jones e Dr. Willian Perry Woods: quem seria o real fundador do Lions? |
Nelson Gonçalves, especial para a Folha2
Muitos associados do Lions provavelmente irão se surpreender com esta discussão histórica. Afinal, durante décadas, o nome de Melvin Jones foi consagrado oficialmente pelo movimento leonístico mundial como fundador da instituição. Entretanto, pesquisas recentes e documentos históricos levantam dúvidas sobre essa versão tradicional e indicam que a história pode ser mais complexa do que normalmente se imagina.
A versão oficial do movimento leonístico afirma que, em 1917, em Chicago, Melvin Jones, corretor de seguros e integrante do Business Circle of Chicago, propôs que clubes independentes deixassem de atuar apenas em benefício próprio e passassem a unir esforços em causas comunitárias e sociais. Dessa proposta teria surgido o Lions Clubs International.
Entretanto, o advogado e pesquisador Antônio Domingos Andriani, de Ribeirão Preto, ex-governador do Distrito LC-6 do Lions, vem reunindo documentos, registros oficiais e reportagens de jornais norte-americanos que colocam em dúvida a narrativa tradicional.
Entre os materiais pesquisados por Andriani está um artigo do historiador Paul W. Martin, autor do livro “We Serve: A History of the Lions Clubs International” (Nós Servimos: A História do Lions Internacional), publicado em 1991. Na obra, Martin relata que registros do Estado de Indiana mostram que, em 24 de outubro de 1916, o médico cirurgião William Perry Woods, juntamente com Carmi Hicks e C.R. Conan, registrou oficialmente uma entidade sem fins lucrativos denominada “International Association of Lions Clubs”.
Segundo a documentação analisada, durante a reunião realizada em 7 de junho de 1917, no Hotel La Salle, em Chicago, William Woods aparece nas atas como presidente da Associação Internacional de Lions Clubes, representando 27 clubes já existentes.
Jornais de Dallas que cobriram a convenção leonística de outubro de 1917 também destacavam William Woods como principal dirigente da organização. Uma das reportagens afirmava que o Lions já existia havia mais de um ano, o que remeteria sua origem a 1916, e não a 1917.
De acordo com Paul W. Martin, Woods acabou se afastando gradativamente da instituição para dedicar-se à Medicina. Nesse período, Melvin Jones passou a assumir protagonismo administrativo e organizacional dentro do movimento. Em cartas citadas pelo autor, Woods teria demonstrado incômodo ao saber que Jones vinha sendo tratado como fundador do Lions, embora evitasse transformar a questão em disputa pessoal.
Em uma dessas correspondências, Woods, respondendo ao amigo E.A.Hicks, teria afirmado: “Eu sabia que isso não era verdade. Mas não se preocupe tanto com isso. Jones evidentemente buscava honra e reconhecimento, e se é isso que deseja, que o tenha.”
Apesar disso, Woods também reconhecia o importante trabalho de Melvin Jones na expansão internacional da instituição:“Dou muito crédito ao Sr. Jones. Acho que ele fez um excelente trabalho organizando clubes e supervisionando o crescimento da organização.”
Na prática, Melvin Jones tornou-se o principal articulador administrativo do Lions e permaneceu como secretário-geral da organização até sua morte, em 1961. Curiosamente, conforme a própria galeria de presidentes do site oficial do Lions Internacional, onde figuram 101 homens e duas mulheres que ocuparam a presidência, Melvin Jones jamais ocupou o cargo de presidente internacional.
27 clubes de Lions
A convenção realizada entre 7 e 10 de junho de 1917, em Chicago, reuniu representantes de diferentes clubes e associações independentes, como os Optimists, Vortex, Cirgonians, Concordia Club e a Royal Order of Lions, de Indiana. O objetivo era unificar essas organizações sob uma única estrutura nacional. Woods aparece na ata como representante de 27 clubes com o nome de Lions. O site da fundação que leva o nome de Willian Perry Woods (clique aqui para mais informações) informa que ele e mais alguns amigos teria fundado a Ordem Real dos Leões em 1911. Essa seria entidade que secreta que em seis anos chegou a ter 54 unidades.
Não por acaso, William Woods foi escolhido como primeiro presidente da nova entidade, enquanto Melvin Jones assumiu a secretaria-geral. Já a convenção de outubro de 1917, em Dallas, consolidou oficialmente a organização que mais tarde se transformaria no Lions Clubs International. Somente em 1958, por decisão oficial da diretoria internacional, Melvin Jones passou a ser reconhecido institucionalmente como fundador do Lions. Em 1926, Melvin Jones abandona seus negócios para dedicar tempo integral ao leonismo. “Isto evidentemente não foi de graça”, pondera Andriani. “A ele deve ter sido estipulado algum salário mensal ou anual, além de outros benefícios, cujos valores são desconhecidos e se recebeu são até hoje mantidos em sigilo”.
Para Antônio Andriani, os documentos históricos deixam poucas dúvidas de que William Perry Woods foi o responsável pela criação da primeira organização a utilizar oficialmente o nome Lions, em 1916, enquanto Melvin Jones teria sido o grande responsável pela expansão administrativa, filosófica e internacional do movimento.
Independentemente de quem tenha sido o verdadeiro fundador, é inegável que ambos exerceram papéis fundamentais na construção daquela que se transformaria na maior organização de clubes de serviço do mundo.
A expansão internacional do Lions começou em 1920, com a fundação do primeiro clube fora dos Estados Unidos, na cidade de Windsor, no Canadá. Em 1926 o movimento chegou à China, em Tientsin. O Panamá recebeu o primeiro clube da América Central em 1935.
Na América do Sul, a Colômbia inaugurou o leonismo em 1936, na cidade de Barranquilla. Na Europa, o primeiro Lions Clube foi fundado em 1948, em Estocolmo, na Suécia. No Brasil, o movimento chegou em 1952, pelas mãos de Armando Fajardo.
Em São José do Rio Preto o Lions chegou em 1953 pelas mãos do engenheiro Roberto Azurem Furtado, que vinha do Rio de Janeiro para instalar a fábrica da Coca-Cola. Roberto era filho de Edmundo Azurem Furtado e sobrinho de Edmundo Azurem Furtado, que estiveram na presidência do Flamengo quando o clube passou a incoporar as cores rubro-negro e abraçando o futebol tornou-se campeão carioca em 1912.
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| Foto do Dr. Woods publicada num jornal de Dallas em 1917 |
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| Artigo noticiando a convenção do Lions em 1917 |
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| Matéria, publicada em 1917, falando sobre a organização do Lions |
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| Matéria falando sobre a convenção do Lions em 1917 |
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| Matéria publicada em 1917 fala sobre a expansão do Lions |
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| Matéria em 2017 dá destaque ao Dr. Woods na organização do Lions |
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| Matéria menciona Dr. Woods na frente da organização |
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| Jornal publica sobre a convenção do Lions em Dallas |
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| Domingos Andriani é estudioso e pesquisador da história do Lions Internacional |
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| Matéria publicada em outubro de 1917 dá destaque ao Dr. Woods |










