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Segunda-feira, 9 de fevereiro é Dia Internacional da Epilepsia

Enquanto a cirurgia de epilepsia é realizada, paciente, acordada, diz para médico a imagem que vê em celular

Complexo Funfarme é referência nacional no tratamento clínico e cirúrgico de adultos e crianças com epilepsia

Cirurgias aumentam 440% em quatro anos no Hospital da Criança e Maternidade (HCM)

Reconhecer os sintomas da epilepsia o quanto antes é fundamental para ampliar o sucesso do tratamento, ressalta neurocirurgião do HCM

Esta segunda-feira, 9 de fevereiro é o Dia Internacional da Epilepsia, instituído para chamar a atenção para esta condição neurológica crônica que atinge ao menos 3 milhões de brasileiros, dos quais boa parte são crianças. Reflexo disso é o aumento de 440% no número de cirurgias em apenas quatro anos no Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de Rio Preto. O número de crianças com epilepsias operadas passou de quatro, em 2021, para 27 em 2024.

O HCM integra junto com o Hospital de Base de Rio Preto o complexo Funfarme, que é referência nacional para o diagnóstico e tratamentos clínico e cirúrgico desta condição neurológica.

A epilepsia é caracterizada pela ocorrência de crises epilépticas recorrentes, provocadas por descargas elétricas anormais no cérebro. “As manifestações variam desde episódios breves de ausência (perda da consciência) e alterações sensoriais até convulsões bilaterais generalizadas, com perda de consciência e movimentos involuntários. Entre os sintomas mais comuns estão convulsões motoras, lapsos de consciência, confusão mental, contrações musculares, quedas súbitas e alterações do comportamento. 

Estes sintomas são intermitentes e geralmente abruptos”, explica Dra. Lúcia Helena Neves Marques, coordenadora do CECEP – Centro de Cirurgia de Epilepsia do Hospital de Base de Rio Preto.

A grande incidência em crianças inclusive será um dos temas do 5º Simpósio de Epilepsia que a Funfarme e a Famerp (Faculdade de Medicina de Rio Preto) realizam, em maio, em Rio Preto, sendo um dos maiores eventos sobre esta condição neurológica no Estado de São Paulo.

Identificar sintomas previamente é fundamental

O neurocirurgião pediátrico Gustavo Botelho Sampaio, do HCM, ressalta ser extremamente importante que as pessoas conheçam os sintomas da epilepsia para encaminhar a pessoa acometida o mais breve possível ao serviço médico. Segundo o neurocirurgião, os sintomas mais comuns são:

perda súbita da consciência;

convulsões, com tremores intensos nos braços e pernas;

olhar fixo e ausência momentânea;

movimentos involuntários repetitivos, como mastigação ou piscadas;

confusão mental após o episódio;

quedas repentinas;

sensações estranhas, como formigamento, medo súbito ou alterações visuais e auditivas.

Em muitos casos, as crises duram poucos segundos ou minutos, mas podem deixar a pessoa cansada, confusa ou sonolenta após o episódio. Qualquer crise sem explicação aparente deve ser investigada por um médico neurologista.

“É fundamental procurar atendimento médico sempre que houver a primeira crise, episódios repetidos, desmaios inexplicados, convulsões ou alterações súbitas do comportamento e da consciência. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado, reduzindo riscos, complicações e o impacto da doença na vida social, escolar e profissional”, destaca Dr. Gustavo Botelho.

O HCM e o HB de Rio Preto são referências para estes casos, encaminhados ao CECEP, a unidade de alta complexidade dedicada ao diagnóstico preciso e ao tratamento especializado da doença em crianças, adolescentes e adultos, fundada há 25 anos pela Dra. Lúcia Helena, junto com o neurologista neurocirurgião funcional Carlos da Silva Júnior.

Desde sua fundação, o CECEP já realizou mais de 1.200 cirurgias de epilepsia e prestou atendimento especializado a milhares de pacientes. 

Na unidade, os médicos realizam a avaliação neurofisiológica do paciente com vídeo-eletroencefalograma (vídeo EEG) e neuroimagem Rm e PET/ SPECT para localizar a região do cérebro afetada, chamada zona epileptogênica, responsável pelo início das crises.  

No CECEP são realizados alguns dos procedimentos mais modernos do mundo, como o tratamento cirúrgico ressectivo ou neuromodulação (Nervo Vago ou Estimulação Cerebral Profunda), semelhante ao que se utiliza no tratamento da Doença de Parkinson. "“Todos estes procedimentos são muito importantes para que localizemos, de forma precisa, a região do cérebro afetada, chamada zona epileptogênica, e suas redes neurais envolvidas. O objetivo é encontrar o que precisa ser removido no cérebro para melhorar as crises, mas sempre mensurando o risco de possíveis sequelas cognitivas através da avaliação neuropsicológica e psiquiátrica estruturada", pontua Dr. Carlos Rocha.

O centro conta com uma equipe multidisciplinar altamente qualificada, formada por neurologistas, neurocirurgiões, neuropsicólogos, especialistas em neurofisiologia, medicina nuclear, além do suporte completo dos corpos clínicos do Hospital de Base e do HCM.

Além de Dra. Lúcia e Dr. Gustavo, atuam no complexo Funfarme o neurocirurgião funcional Carlos Rocha, o neurocirurgião pediátrico Linoel Curado e o neurocirurgião e neurofisiologista Matheus Rodrigo Laurenti do HCM.

Segundo Dr. Carlos Rocha, cerca de 70% dos pacientes conseguem controlar as crises com medicamentos, enquanto aproximadamente 30% apresentam epilepsia formas resistentes, refratárias. 

“Para estes casos, quando as crises não respondem adequadamente ao tratamento clínico, é necessária a avaliação complementar para tratamento cirúrgico ou neuromodulação cerebral”, explica o neurocirurgião funcional do HB de Rio Preto.

A prevenção da epilepsia está relacionada, principalmente, à redução de fatores de risco, como traumatismos cranianos, acidentes de trânsito, infecções do sistema nervoso central, AVC, complicações no parto e falta de acompanhamento pré-natal. “Medidas como o uso de capacetes, cinto de segurança, controle de doenças crônicas, sistêmicas e acompanhamento médico adequado contribuem para diminuir a incidência da doença”, pontua Dra. Lucia Helena.

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