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Paulo Serra Martins, voz histórica do rádio rio-pretense, morre aos 92 anos

Paulo Serra Martins morre aos 92 anos em São José do Rio Preto


A comunicação de São José do Rio Preto perdeu nesta quarta-feira (11) uma de suas vozes mais emblemáticas. Faleceu, aos 92 anos, o radialista Paulo Serra Martins, profissional que marcou época nas reportagens externas da Rádio Independência e ajudou a escrever capítulos importantes da história do rádio regional.

Ao lado do célebre Adib Muanis, Paulo Serra esteve presente em um dos momentos mais simbólicos do país: a inauguração de Brasília, em 21 de abril de 1960. Na ocasião, a dupla conquistou uma entrevista exclusiva com o então presidente Juscelino Kubitschek, feito que projetou ainda mais o nome da emissora e consolidou a credibilidade dos dois jornalistas.

Carinhosamente chamado de “Paulinho” ou “Pablito” pelos amigos, ele iniciou na profissão pelas mãos do professor Jorge Khauan, que o levou aos microfones da rádio em junho de 1950, em um programa esportivo. Foi amor à primeira transmissão. Não demorou para ganhar espaço próprio com o programa “O Ouvinte Faz o Programa”, que rapidamente se tornou líder de audiência graças ao seu talento, espontaneidade e habilidade singular de dialogar com o público.

Ao longo da carreira, também atuou na Rádio Anchieta, na TV Rio Preto e como repórter nos jornais “Correio da Araraquarense”, “Diário da Região” e “A Notícia”. Encerrou sua trajetória profissional como assessor de imprensa da Câmara Municipal de São José do Rio Preto. Entre 1995 e 1998, colegas de profissão mobilizaram-se em um abaixo-assinado dirigido ao então presidente da Câmara, vereador Dorival Lemos, para que Paulinho fosse contratado como assessor. À época, ele estava prestes a se aposentar e precisava contribuir com o INSS com um salário compatível. O gesto revelou o respeito e a admiração que sempre despertou entre os companheiros de ofício.

No começo dos anos 2000, lançou o livro “Nas Ondas da B8, História do Rádio”, pela Editora THS, obra em que resgatou episódios marcantes do rádio rio-pretense, preservando memórias que hoje integram o patrimônio cultural da cidade.

Pai de Vânia, Vinicius e Wlademir, avô de quatro netos e bisavô de quatro bisnetos, Paulo Serra também se orgulhava da trajetória do filho Vinicius, que implantou em Rio Preto a primeira loja de locação de ternos e vestidos para casamentos, formaturas e festas. O estabelecimento levava o nome do filho, embora, posteriormente, um desentendimento societário tenha resultado na perda da marca.

O corpo foi velado na Capela Prever e sepultado no cemitério Jardim da Paz.

Com a partida de Paulo Serra Martins, silencia-se uma voz. Mas permanece o legado de um profissional que fez do microfone ponte entre os fatos e as pessoas, ajudando a construir a história do rádio e do jornalismo em São José do Rio Preto.

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