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| Mário Zan foi considerado por Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião", como "O Melhor Sanfoneiro do Brasil" |
Nelson Gonçalves, especial para a Folha2
A música “Quarto Centenário” (clique aqui para ouvi-la),
composta por Mário Zan em 1954, foi criada especialmente para celebrar os 400
anos da cidade de São Paulo e acabou se consolidando como o hino oficial das
comemorações do quarto centenário da fundação da capital paulista. A letra
apresenta São Paulo como o “coração” e a “alma” do Brasil, atribuindo à cidade
um papel central na identidade nacional.
Ao chamá-la de “terra amada” e
de “progresso e glória do meu Brasil”, a canção exalta o protagonismo
paulistano como motor econômico, cultural e histórico do país. A letra
estabelece conexões diretas com episódios marcantes da história brasileira,
como o Grito do Ipiranga, ocorrido em território paulista, reforçando o orgulho
local por sua relevância na formação da nação.
O verso “teu trabalho fecundo
mostra ao mundo inteiro o teu valor” valoriza o espírito trabalhador,
empreendedor e inovador dos paulistanos. Elementos típicos da cidade, como a “garoa
em denso véu” e os “edifícios que até parecem chegar ao céu”, ajudam a ilustrar
tanto o clima quanto o crescimento urbano acelerado de São Paulo. A letra
também homenageia figuras históricas como o bandeirante destemido e José de
Anchieta, associando-os à construção de uma cidade marcada por arte, beleza e
progresso. Assim, “Quarto Centenário” celebra a trajetória paulistana ao unir
passado e presente em uma homenagem à sua grandeza e contribuição ao Brasil.
Para o bancário aposentado e
ex-presidente do Lions Clube Centro de São José do Rio Preto, Egberto Xavier, a
música “Quarto Centenário” (Clique aqui para ouvir ela sendo interpretada por Mário Zan) é, em versos e melodia, muito superior à
canção-tema do filme “New York, New York”, lançado em 1971. Escrita por John
Kander e Fred Ebb, a música foi originalmente interpretada por Liza Minnelli,
mas só se tornou um verdadeiro hino da cidade norte-americana quando Frank
Sinatra a gravou, em 1977.
Xavier, que aos quase 80 anos
sabe cantar de memória todos os versos da composição de Mário Zan, pede que as
pessoas prestem atenção à letra para compreender o significado de cada palavra.
“É uma das mais belas canções deste planeta”, afirma.
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| Escute a música sendo cantada clicando aqui |
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| Mário Zan gravou cerca de 300 discos e mais de 1.000 canções |
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| Mário Zan teve uma carreira extremamente prolífica, acumulando centenas de gravações em diferentes formatos ao longo de décadas |
O artista Mário Zan
Batizado como Mário Giovanni
Zandomeneghi, o consagrado compositor e sanfoneiro nasceu na Itália, na pequena
cidade de Roncade, na região do Vêneto, província de Treviso. Ainda criança,
aos 4 anos de idade, imigrou com a família para o Brasil, fixando-se no estado
de São Paulo.
A família Zandomeneghi
estabeleceu-se em Santa Adélia, na região de Catanduva, onde Mário Zan teve
como principal incentivador o primo e acordeonista Hilário Fossalussa, da
cidade de Olímpia (SP). Conhecido como “O Moleque da Sanfona”, Zan se
apresentava em animados bailes da roça, conquistando o público desde muito
cedo.
Começou a tocar acordeão aos 12
anos e tornou-se um dos maiores sanfoneiros da história da música brasileira.
Ao longo da carreira, teve mais de mil composições gravadas. Entre elas estão
clássicos das festas juninas paulistas, como “Baião Bonito”, “Pula a Fogueira”,
“Festa na Roça”, “Noites de Junho” e “Quadrilha Completa”, ainda hoje
executados em todo o país.
É também autor de sucessos
nacionais como “Boneca Cobiçada” (ouça aqui) e “A Chalana” (ouça aqui), gravados por artistas como Sérgio
Reis, Almir Sater e Roberta Miranda, entre muitos outros. Mário Zan compôs
ainda diversos dobrados e foi autor de hinos oficiais de várias cidades
paulistas. O próprio Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, declarou em diversas
ocasiões que “o verdadeiro Rei da Sanfona no Brasil chama-se Mário Zan”.
Pelo menos três de suas
canções ultrapassaram as fronteiras brasileiras e fizeram sucesso
internacional. Uma delas é “Nova Flor”, em parceria com Palmeira, gravada em
inglês como “Love Me Like a Stranger”. Outro sucesso foi a versão em
espanhol “Los Hombres No Deben Llorar”, além da gravação em alemão “Fremde oder
Freunde”.
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| Mário Zan cuidou e sua família continua cuidando do túmulo da Marquesa de Santos |
A ligação com a Marquesa de
Santos
Uma das curiosidades da vida
de Mário Zan envolve uma promessa feita em favor da saúde de sua filha Mariangela.
Quando a menina nasceu, em 1980, apresentou um grave problema de saúde que não
foi diagnosticado pelos médicos, permanecendo internada por vários dias.
Em um momento de desespero,
Zan e sua esposa, Aglais Lopes, foram ao Cemitério da Consolação, onde se
detiveram diante da sepultura da Marquesa de Santos. Fizeram um pedido pela
recuperação da filha, que, três dias depois, apresentou melhora inesperada e
recebeu alta médica. A partir de então, o casal passou a cuidar do túmulo da
marquesa, que à época se encontrava em estado de abandono.
Em entrevista ao jornal O
Estado de S. Paulo, em 2013, Mariangela Zan afirmou que continuava zelando pela
sepultura, mesmo após a morte do pai, ocorrida em 2006, aos 86 anos. Desde janeiro
de 2026, Mariangela divide-se entre apresentações musicais por todo o Brasil e
a função de apresentadora do programa “Aparecida Sertaneja”, exibido ao vivo
pela TV Aparecida, todas as terças-feiras, às 20h30.
Domitila de Castro Canto e
Melo (1797–1867), a Marquesa de Santos, foi uma aristocrata brasileira de
grande influência política e social. Tornou-se famosa por seu relacionamento
com o imperador Dom Pedro 1º, iniciado em 1822 e que durou cerca de sete anos.
Durante esse período, recebeu títulos, riquezas e protagonizou escândalos que
desgastaram a imagem do imperador, especialmente diante da imperatriz Leopoldina.
Domitila chegou a interferir em nomeações e decisões da Corte.
Ao longo da vida, teve 11
filhos, frutos de três relacionamentos diferentes: cinco com Dom Pedro 1º, seis
do casamento com o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar e um de seu primeiro
casamento.
Segundo o pesquisador Paulo
Rezzutti, Mário Zan não possuía vínculo formal com nenhuma religião, mas
acreditava que Domitila exercia uma proteção espiritual sobre ele e sua
família. Além da recuperação da filha, Zan atribuía a ela outras graças
recebidas ao longo da vida, incluindo a concessão de um terreno no Cemitério da
Consolação, onde foi sepultado.
Na sepultura da Marquesa de
Santos também está enterrada Maria Isabel de Alcântara Bourbon, a Condessa de
Iguaçu, última sobrevivente dos cinco filhos que Dom Pedro 1º teve com
Domitila.
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| Mário Zan e a filha Mariangela, pouco antes dele falecer em 2006 |
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| Mariangela apresenta as terça=feiras na TV Aparecida o programa "Aparecida Sertaneja" |
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| Mário Zan é autor da música "Quarto Centenário" que quase se transformou num hino para a cidade de São Paulo |







