Após o ano de 2025 ser marcado pelo aumento dos casos de dengue em Rio Preto e região, a Funfarme (Fundação Faculdade Regional de Medicina) reuniu gestores e profissionais de saúde para o II Fórum Regional de Enfrentamento da Dengue.
O cenário é de alerta. Dados consolidados pelo complexo hospitalar da Funfarme revelam um salto expressivo: em 2024, foram registrados 4.218 casos confirmados; já em 2025, o número disparou para 5.833, um crescimento de aproximadamente 38%. O impacto foi sentido diretamente na ponta do atendimento, com unidades de pronto atendimento e internação operando em sua capacidade máxima.
A gravidade da situação em 2025 exigiu medidas extremas para evitar um colapso no sistema municipal de São José do Rio Preto, demandando a contratação emergencial, pela Prefeitura, de 40 leitos exclusivos no Hospital de Base (HB) — sendo 10 de UTI — para absorver o fluxo crítico de pacientes graves. Diante disso, o Fórum visa capacitar a Rede de Atenção à Saúde dos 102 municípios da região, focando em médicos, enfermeiros e gestores que enfrentam diariamente a pressão das arboviroses.
Para o Dr. Horácio Ramalho, diretor executivo da Funfarme, eventos como este são fundamentais para analisar os resultados do trabalho realizado. “Este fórum é de suma importância por aliar a realidade prática à capacitação baseada em evidências. Contamos com especialistas de vasta expertise para discutir dados reais e orientar as condutas preventivas e clínicas que cada município deve adotar. Embora os casos estejam sob controle este ano, os resultados positivos não permitem que baixemos a guarda. Além disso, a vacina 100% brasileira, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em breve será disponibilizada gradualmente à população”, destaca.
A Dra. Maria Lúcia Machado Salomão ressalta a influência do período de chuvas e a necessidade de medidas preventivas rigorosas. "O controle da dengue é um desafio de longa data, com estratégias consolidadas que têm gerado impactos positivos. O objetivo deste fórum é reforçar e retomar ações essenciais para garantir um controle eficaz. A parceria com os municípios da região é fundamental para fortalecermos o enfrentamento conjunto. Diante das chuvas sazonais e das mudanças climáticas, que favorecem a proliferação dos criadouros, precisamos assegurar que todas as medidas preventivas foram adotadas para evitar um surto em larga escala”, pontua.
Rubem Bottas, Secretário de Saúde de Rio Preto, elogiou a iniciativa da Funfarme na promoção do debate. "Ao promover este evento, a Funfarme desempenha um papel fundamental no apoio a gestores, profissionais de saúde e à população no combate à dengue, zika e outras arboviroses. Esta iniciativa é vital para a saúde pública municipal, pois a integração entre a ciência e a prática clínica, aliada à troca de experiências e às apresentações de alto nível que presenciamos hoje, é essencial para todos. Tenho plena convicção de que o conhecimento compartilhado aqui fortalecerá significativamente nossa região”, afirma.
Foco Estratégico e Programação
A programação do encontro foi desenhada para oferecer uma resposta técnica robusta aos desafios atuais. Os debates abordaram a vacinação contra a dengue como estratégia vital de prevenção e apresentaram experiências exitosas dos municípios de Rio Preto, Tanabi e Mendonça, que podem servir de modelo regional. O evento também aprofundou o panorama epidemiológico e o manejo clínico da doença, destacando a importância crucial dos exames diagnósticos para a tomada de decisão rápida.
Toda a discussão foi pautada pelos avanços e desafios no enfrentamento da dengue, com foco especial na proteção de pacientes pediátricos, idosos e pessoas com comorbidades, grupos mais vulneráveis à complexidade clínica dos quatro sorotipos virais e da chikungunya.
Marta Alves de Souza, Secretária de Saúde de Mendonça, compartilhou os resultados positivos do município durante o evento. "O fórum uniu toda a nossa região para discutir um tema vital. Em Mendonça, vivemos um período muito difícil em 2025, com recordes de casos de dengue, e por isso trouxemos aqui o nosso modelo de monitoramento que conseguiu evitar óbitos. Fortalecemos o vínculo entre a Atenção Básica e as vigilâncias, unindo o controle de vetores à assistência direta ao paciente. O nosso ponto forte foi agir em tempo real; acompanhamos cada paciente de perto e, com isso, alcançamos ótimos resultados”, finaliza.

