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Museu Mazzaropi preserva em Taubaté o legado do maior “caipira” do cinema brasileiro

 

Telhado ondulado do Museu Mazzaropi lembra as antigas latas de filmes  

 Nelson Gonçalves, especial para a Folha2

Quem visita Taubaté, distante cerca de 130 km da capital paulista, não pode deixar de conhecer o Museu Mazzaropi, dedicado ao cineasta e comediante brasileiro Amácio Mazzaropi. Criado em 1992 por João Roman Júnior, o espaço nasceu como forma de homenagear o amigo e artista que, por muitos anos, foi recordista de bilheteria nos cinemas do Brasil. Taubaté é terra natal do atual do Grande Secretário de Comunicação da GLESP (Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo), Eduardo Fondello Pereira da Silva

Fenômeno popular, Mazzaropi foi o ator e cineasta favorito do público do interior do país. Seus filmes, que retratavam o “caipira” de maneira autêntica e bem-humorada, frequentemente superavam produções estrangeiras em arrecadação. Obras como "Jeca Tatu", "Sai da Frente", "Candinho", "Portugal Minha Saudade", "Um Caipira em Bariloche", entre tantas outras, tornaram-se sucessos estrondosos e consolidaram seu legado como um dos maiores nomes do cinema nacional.

O advogado Luiz Homero da Silva, amigo pessoal de Mazzaropi e colaborador em alguns de seus filmes, é um dos entusiastas do museu e guarda histórias vividas de perto ao lado do artista. “O Mazzaropi não apenas atuava: ele dirigia seus próprios filmes, escrevia os roteiros, escalava o elenco, escolhia câmeras, sonoplastas e até figurantes”, recorda.

Nascido em 9 de abril de 1912, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, Mazzaropi desde cedo se encantou com o universo dos circos e do teatro. Filho de imigrantes portugueses e italianos, passou boa parte da infância em Taubaté e, influenciado pelo avô paterno, o maestro João José Ferreira, começou a contar piadas e declamar textos nos palcos improvisados dos circos. Aos 22 anos, montou sua própria companhia teatral.

Na década de 1940, ganhou projeção nacional ao ingressar na Rádio Tupi, com o programa Rancho Alegre. Com a chegada da televisão, estreou na TV Tupi o primeiro programa humorístico da história da TV brasileira. Em 1951, iniciou a carreira no cinema ao ser descoberto por Abílio Pereira de Almeida, da Companhia Vera Cruz, protagonizando o filme Sai da Frente. O sucesso foi imediato e definitivo, consagrando-o como o “caipira do Brasil”.

PAM Filmes e Hotel Fazenda

Hotel-Fazenda Mazzaropi possui 168 apartamentos e completa infraestrutura para os hóspedes


Em 1958, criou a própria produtora, a Produções Amácio Mazzaropi (PAM Filmes), passando a financiar e distribuir seus filmes de forma independente. Dois anos depois, adquiriu uma fazenda em Taubaté, onde construiu seus estúdios e gravou obras que se tornaram marcos do cinema nacional, como "Jeca Tatu", "Tristeza do Jeca" e "O Corintiano", sempre mesclando humor, crítica social e identidade brasileira.

Na década de 1970, Mazzaropi investiu na construção de um hotel-fazenda de luxo em Taubaté, com 168 apartamentos, centro de eventos, restaurante, academia, piscinas e ampla área de lazer.

Com a morte do artista, em 1981, João Roman Júnior deu início à construção do museu que hoje preserva e reverencia seu legado. O prédio foi projetado pela mesma equipe de arquitetos responsável pela reforma e revitalização do emblemático Hotel Vila Inglesa, em Campos do Jordão.

Externamente, o telhado metálico curvo do museu remete a uma sequência de latas de filmes de cinema. O edifício abriga hall de entrada, área de exposições, salas de vídeo, loja de produtos temáticos, anfiteatro, camarins e sanitários. Um mezanino reproduz cenários internos clássicos das filmagens, como quarto, sala e cozinha vistos nos filmes.

O museu, segundo Verônica Ferreira, uma das funcionários do local, possui um acervo com mais de 20.000 itens, entre fotografias, filmes, figurinos, documentos, móveis e objetos cênicos — como cornetas, panelas e até pinicos utilizados nas produções. As paredes também exibem cartazes de todos os filmes do artista.

Além da exposição permanente, o espaço conta com um anfiteatro para 350 pessoas e recebe diversos eventos culturais, como o Festival de Cinema e a Semana Mazzaropi, realizada em abril, mês de nascimento do artista. O Empório Mazzaropi oferece filmes em DVD, livros, a premiada Cachaça Mazzaropi e o reconhecido artesanato da região. Em constante atualização, o museu segue incorporando novidades e ampliando sua programação cultural.

O Museu Mazzaropi funciona de terça-feira a domingo, das 8h30 às 12h. Ingresso custa R$ 11 (inteira), Estudantes e idosos (acima de 60 anos) pagam meia-entrada. Para mais informações acesse o site do Museu Mazzaropi, clicando aqui.

Leia também matéria contando que Mazzaropi gostava de passar os finais de semana em Termas de Ibirá, no interior paulista. Clique aqui para ler essa matéria.

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Alto-falantes e cornetas utilizadas nos filmes do Mazzaropi

Cartazes de divulgação de todos os filmes fazem parte do acervo do Museu

Painéis fotográficos e vários objetos também fazem parte do acervo

Entrada do Museu Mazzaropi, em Taubaté

Fotografia que mostra Mazzaropi atuando diante da câmera da TV Tupi

Fachada do Museu Mazzaropi, que funciona de terça a domingo, das 8h30 às 12h

Todos os equipamentos de filmagens estão à disposição do público

São vários os cartazes dispostos no Museu Mazzaropi

O Museu Mazzaropi possui vários atrativos para os visitantes




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