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Tiririca fica fora do Congresso após 16 anos de mandato

Tiririca fazia piadas dele mesmo, dizendo que o povo não sabia votar

 

Depois de quatro mandatos consecutivos representando São Paulo — um deles conquistado com a maior votação do país naquela época, de cerca de 1,5 milhão de votos — o palhaço Tiririca não conseguiu conquistar uma vaga nas eleições deste ano. Candidato a deputado federal pelo Ceará, seu Estado de origem, recebeu apenas 5.523 votos. O resultado foi insuficiente para garantir a eleição e encerra, ao menos por enquanto, uma carreira política iniciada em 2010 com uma das maiores votações já registradas para o cargo no país.

A votação extraordinária daquele ano transformou o personagem popular da televisão em um fenômeno eleitoral. Com tamanha quantidade de votos, Tiririca ajudou a eleger outros candidatos de sua coligação, beneficiando nomes que, individualmente, dificilmente alcançariam uma cadeira na Câmara, entre eles Waldemar Costa Neto.

Em 2014, ainda conseguiu uma votação superior a 1 milhão de votos. Quatro anos depois, porém, começou a derrocada: em 2018, recebeu cerca de 453 mil votos. Em 2022, sua votação despencou novamente, para aproximadamente 71,5 mil votos, mas ainda foi suficiente para garantir sua reeleição pelo PL, partido de Jair Bolsonaro.

Diante da queda acentuada de sua votação, em 2025 Tiririca anunciou a decisão de transferir seu domicílio eleitoral e tentar retornar à política pelo Ceará. A mudança, entretanto, não produziu o resultado esperado.

Sua relação com a política já havia passado por um momento de desencanto. Em 2017, durante seu primeiro mandato, subiu à tribuna da Câmara pela primeira vez e declarou estar “decepcionado com a política”, afirmando que não pretendia mais disputar eleições. A promessa, porém, durou pouco: ele voltou a concorrer em 2018, foi novamente candidato em 2022 e tentou agora, em 2026, retornar à Câmara pelo Ceará.

Além dos salários, cujo valor bruto atualmente é de R$ 46.366, a passagem de Tiririca pela Câmara representou também um significativo custo para os cofres públicos. Estimativas que consideram remuneração, passagens aéreas, cota parlamentar, assessores, assistência médica, auxílio-moradia e outros benefícios apontam para um montante superior a R$ 22 milhões ao longo de quatro mandatos, dependendo dos critérios utilizados no cálculo.

Em 16 anos de mandato, Tiririca apresentou 14 projetos de lei, concentrados principalmente em temas relacionados às atividades circenses e à profissão de palhaço. Nenhum deles, segundo o levantamento considerado, resultou em uma lei aprovada pelo Congresso Nacional.

Depois quatro mandatos como deputado, Tiririca fica fora do Congresso Nacional


Legislando em causa própria

Entre as propostas apresentadas estavam a criação do Diploma Amigo do Circo, destinado a reconhecer pessoas ou instituições que contribuíssem para a valorização das atividades circenses, além de medidas para isentar artistas de circo do pagamento de pedágios e conceder benefícios tributários a veículos utilizados em atividades circenses.

No primeiro mandato, Tiririca também enfrentou uma situação inusitada: o Ministério Público Eleitoral chegou a pedir investigação para verificar se ele era alfabetizado. A questão ganhou repercussão nacional porque a Constituição impede a candidatura de analfabetos. O episódio terminou sem impedir sua permanência no cargo.

Assim, aquele fenômeno eleitoral que chegou à Câmara em 2010 carregado pela impressionante marca de 1,5 milhão de votos termina, pelo menos por enquanto, sua trajetória parlamentar com apenas 5.523 votos no Ceará — uma queda de mais de 99% em relação à votação que o consagrou nas urnas.

 

Deputado Palhaço Tiririca zombou dos eleitores por 16 anos



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