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| Cirurgião oncológico Guilherme Cucolicchio, do Austa Hospital |
O Outubro Rosa, campanha mundial de conscientização sobre o câncer de mama, reforça neste ano uma mensagem que permanece fundamental: quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as possibilidades de tratamento e de cura. Além da prevenção e do diagnóstico precoce, os avanços registrados nos últimos anos fizeram com que o tratamento do câncer de mama se tornasse cada vez mais individualizado, com cirurgias menos agressivas e novas estratégias de tratamento definidas de acordo com as características de cada tumor.
É uma boa notícia sobretudo diante do avanço da doença no país. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) prevê que ao menos 230 mil mulheres terão câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028, ou seja, 1 mulheres em cada 1.400. “É uma incidência muito grande. É o câncer que mais atinge as mulheres brasileiras, quando excluídos os tumores de pele não melanoma”, ressalta o oncologista e cirurgião oncológico Guilherme de Oliveira Cucolicchio, do Austa Hospital, de Rio Preto.
“O câncer de mama não deve ser encarado como uma doença exclusiva da mulher mais velha. Embora a idade continue sendo um dos principais fatores de risco, estamos observando aumento importante entre as mulheres mais jovens. Por isso, qualquer alteração suspeita precisa ser investigada, independentemente da idade”, afirma o cirurgião oncológico.
Estudos realizados no Brasil embasam o alerta do médico do Austa Hospital. Um da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e INCA, publicado ano passado, constatou que, entre as mulheres abaixo de 40 anos, a mortalidade por câncer de mama aumentou, em média, 0,8% ao ano entre 1996 e 2019. Outro, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), avaliou 12.569 mulheres tratadas entre 2009 e 2020 e a proporção de pacientes com menos de 40 anos passou de 9,9% dos casos em 2009–2014 para 12,9% em 2015–2020, com tendência estatisticamente significativa de crescimento.
Isso não significa que o câncer de mama tenha deixado de ser predominantemente uma doença de mulheres mais velhas. De acordo com o Ministério da Saúde, a incidência aumenta a partir dos 40 anos e a média de idade ao diagnóstico no Brasil é de 54 anos. Entretanto, a presença da doença em mulheres mais jovens merece atenção especial, inclusive porque estudos brasileiros apontam maior frequência de diagnóstico em estágios avançados e de subtipos biologicamente mais agressivos nesse grupo.
“Uma mulher jovem que percebe um nódulo ou alguma alteração na mama não deve simplesmente atribuir aquilo à idade, a alterações hormonais ou a alguma alteração benigna. É preciso avaliar. O diagnóstico precoce pode fazer uma diferença enorme no tratamento”, destaca Dr. Guilherme Cucolicchio.
Felizmente, houve avanços em tratamentos. A cirurgia continua tendo papel central no tratamento do câncer de mama, mas a abordagem mudou significativamente. Segundo o cirurgião oncológico do Austa Hospital, sempre que as características do tumor permitem, a tendência é preservar a maior quantidade possível de tecido mamário sem comprometer a segurança oncológica.
Nos casos iniciais, a cirurgia conservadora, que retira o tumor preservando parte da mama, pode oferecer resultados de longo prazo equivalentes aos da mastectomia em termos de sobrevida, quando acompanhada da indicação adequada de radioterapia.
“A cirurgia do câncer de mama deixou de ser baseada em uma lógica de retirar o máximo possível. Hoje buscamos retirar o tumor com segurança e, ao mesmo tempo, preservar a mama e a qualidade de vida sempre que isso for oncologicamente possível. A indicação depende do tamanho e localização do tumor, das características biológicas da doença, do tamanho da mama e de vários outros fatores”, explica Dr. Guilherme Cucolicchio.
Segundo ele, o objetivo é retirar o tumor com segurança, mas preservar a mama e a qualidade de vida da paciente sempre que isso for possível do ponto de vista oncológico. A decisão é individualizada e leva em conta o tamanho e a localização do tumor, suas características biológicas, o tamanho da mama e outros fatores”, explica o cirurgião do Austa Hospital.
Outra evolução importante é que, em algumas situações, o tratamento pode começar antes da cirurgia, com medicamentos destinados a reduzir o tumor e avaliar sua resposta. Dependendo do tipo e do estágio do câncer, podem ser utilizados quimioterapia, hormonioterapia, terapias-alvo, imunoterapia e radioterapia, além da cirurgia.
Quando a paciente necessita de tratamento oncológico complementar, o Centro de Oncologia do Austa Hospital oferece uma estrutura integrada ao complexo hospitalar e ao Austa Medicina Diagnóstica. A unidade reúne equipe multidisciplinar especializada no tratamento do câncer e dispõe de consultórios e ampla sala de infusão, com camas e poltronas, proporcionando conforto e privacidade durante a administração dos medicamentos.
A integração entre o Centro de Oncologia e o serviço de medicina diagnóstica do hospital permite que o paciente tenha acompanhamento ao longo das diferentes etapas da jornada, desde a investigação e confirmação diagnóstica até o tratamento clínico e, quando indicado, cirurgia, internação ou atendimento hospitalar.
Além da equipe médica especializada, o Centro de Oncologia do Austa Hospital conta com profissionais de outras áreas, dentro de uma proposta de atendimento multidisciplinar e humanizado. A unidade mantém a filosofia de acolhimento que acompanha o atendimento oncológico do hospital há anos, buscando oferecer não apenas tratamento, mas também suporte ao paciente e à família durante todo o processo.
A tecnologia e os medicamentos são fundamentais, mas o paciente precisa ser cuidado como um todo. O tratamento envolve também acolhimento, informação, segurança e suporte para que a mulher atravesse esse período da melhor maneira possível.
Quais sinais devem chamar a atenção sobre possível câncer?
O câncer de mama nem sempre provoca sintomas nas fases iniciais, justamente quando as chances de tratamento bem-sucedido são maiores. Por isso, a realização dos exames indicados e a atenção às mudanças nas mamas são importantes.
Entre os sinais que devem ser investigados estão:
• aparecimento de nódulo endurecido, especialmente se for fixo ou estiver aumentando;
• alteração no formato ou tamanho da mama;
• retração do mamilo ou da pele;
• pele com aspecto semelhante à “casca de laranja”;
• saída espontânea de secreção, principalmente sanguinolenta, por um único mamilo;
• ferida ou alteração persistente na pele do mamilo;
• aparecimento de caroço ou aumento de linfonodos na axila.
“O importante é não esperar a dor. O câncer de mama, principalmente nas fases iniciais, muitas vezes não dói. Uma alteração nova ou persistente deve ser avaliada por um profissional de saúde”, alerta Dr. Guilherme Cucolicchio.
É possível reduzir o risco de câncer de mama?
Nem todos os casos podem ser evitados, porque existem fatores que não podem ser modificados, como idade, características genéticas e histórico familiar. Entretanto, medidas relacionadas ao estilo de vida podem contribuir para reduzir o risco.
Entre as principais recomendações do cirurgião oncológico estão:
• praticar atividade física regularmente;
• manter peso corporal adequado;
• evitar ou reduzir o consumo de bebidas alcoólicas;
• não fumar;
• manter alimentação equilibrada;
• amamentar, quando possível;
• realizar acompanhamento médico e considerar o histórico familiar e outros fatores individuais de risco
