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Catedral da Sé: história, arte e grandiosidade no coração de São Paulo

Catedral da Sé esconde belezas em seu subterrâneo que os paulistanos desconhecem


Nelson Gonçalves 


A Catedral Metropolitana de São Paulo, conhecida popularmente como Catedral da Sé, é o principal templo católico da capital paulista e uma das maiores construções religiosas do Brasil. Com arquitetura predominantemente neogótica, destaca-se pelas dimensões, pelos vitrais, pelas esculturas e por sua importância histórica.

A história do local remonta ao período colonial, quando uma igreja simples, construída em taipa de pilão, servia à antiga Vila de São Paulo de Piratininga. A tradição associa a escolha do terreno ao Cacique Tibiriçá, importante personagem da história da fundação da cidade. A Catedral da Sé também é apontada em algumas referências como uma das sete maravilhas brasileiras.

Em 1745, a igreja foi elevada à condição de catedral, dando lugar a uma construção de estilo barroco. Esse templo foi demolido em 1911 para permitir a construção da atual catedral.

O projeto do edifício foi elaborado pelo arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl, professor da Escola Politécnica de São Paulo. As obras começaram em 1913, mas a construção enfrentou dificuldades financeiras e problemas de abastecimento de materiais, agravados pelas duas guerras mundiais.

A Catedral foi inaugurada em 25 de janeiro de 1954, durante as comemorações do quarto centenário da cidade de São Paulo. Na ocasião, as torres principais ainda não estavam concluídas, e a obra continuou nos anos seguintes.

Dimensões e números

A Catedral da Sé tem 111 metros de comprimento e 46 metros de largura. Suas duas torres frontais alcançam aproximadamente 92 metros de altura, enquanto a cúpula central é uma das características que distinguem o conjunto arquitetônico.

O amplo interior, dividido em cinco naves, pode receber milhares de pessoas, com capacidade frequentemente estimada em cerca de 8 mil, considerando a ocupação em pé.

Os vitrais, mosaicos, esculturas e outros elementos artísticos compõem um conjunto que reúne influências europeias e referências à cultura brasileira. Parte dos materiais e das obras de arte veio da Itália, embora nem todos os elementos tenham a mesma origem.

A cripta e os personagens históricos

Sob o altar principal, a cerca de 7 metros de profundidade, encontra-se a cripta, inaugurada em 1919. O espaço abriga câmaras mortuárias e os restos mortais de personagens importantes da história brasileira.

Entre eles estão o Cacique Tibiriçá, associado aos primeiros tempos da formação de São Paulo, o Regente Feijó e o padre Bartolomeu de Gusmão, conhecido por seus estudos pioneiros sobre a navegação aérea.

A presença de sepultamentos em igrejas era comum em outros períodos históricos, especialmente entre pessoas de posição social elevada e integrantes do clero. A cripta preserva parte dessa tradição funerária e constitui um dos espaços históricos mais significativos da Catedral.

O órgão de tubos

A Catedral possui um grande órgão de tubos fabricado em Milão, na Itália, pela empresa Balbiani & Rossi, entre 1953 e 1954. O instrumento foi doado pela Companhia Antarctica Paulista, então fabricante de cervejas.

Com cerca de 11 mil a 12 mil tubos, cinco teclados manuais e uma pedaleira, o órgão se destaca pela complexidade e pela variedade de recursos sonoros. É considerado um dos maiores instrumentos desse tipo no Brasil e na América Latina.

O equipamento integra o patrimônio artístico e musical da Catedral. Seu funcionamento, entretanto, foi interrompido, e há projetos voltados à sua restauração.

O campanário e os sinos

O conjunto de sinos da Catedral da Sé é outro destaque do edifício. O carrilhão reúne 61 sinos de diferentes tamanhos e pesos, sendo considerado um dos maiores da América Latina.

Um dos sinos mais pesados ultrapassa 4 toneladas. O conjunto permite a execução de diferentes combinações sonoras, e 35 sinos podem ser acionados eletronicamente, conforme informações da Arquidiocese de São Paulo.

Além de marcar momentos religiosos, o carrilhão faz parte da identidade sonora do centro histórico paulistano.

Visitação à torre

A Catedral oferece experiências de visitação que permitem conhecer aspectos de sua arquitetura, de sua história e de seus espaços internos. Entre os locais de interesse está o campanário, onde ficam os sinos.

O acesso às torres pode envolver uma subida por escadas, com número de degraus e condições de visita definidos pela organização responsável. Ao todo são 269 degraus. Por isso, é recomendável consultar previamente a direção da Catedral sobre agendamento, disponibilidade, horários e regras de acesso.

Localizada na Praça da Sé, no coração da capital paulista, a Catedral permanece como um dos principais marcos arquitetônicos, religiosos e históricos de São Paulo.

Ecsultura de São Jerônimo, feita em um único bloco de mármore, fica na cripta

Foto da inauguração da catedral da Sé em 1954



A cripta é como se fosse outra igreja no subterrâneo da Catedraç da Sé

Em frente da Igreja fica o marco zero de São Paulo, de onde se convergem
 a quilometragem de todas as rodovias paulistas




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