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Machu Picchu: entre pedras, montanhas e mistérios

 

Machu Picchu — A cidadela inca construída nas alturas dos Andes é um dos mais impressionantes sítios arqueológicos da América do Sul.

Nelson Gonçalves, especial para a Folha2

 

Machu Picchu, o famoso e impressionante sítio arqueológico do Peru, está entre os lugares mais visitados da América do Sul. A antiga cidadela inca está no alto da Cordilheira dos Andes, acima do vale do rio Urubamba, cercada por montanhas e envolta em uma paisagem que parece ter sido cuidadosamente escolhida para impressionar.

Construída provavelmente no século 15, durante o período de apogeu do Império Inca, Machu Picchu teria sido abandonada posteriormente e permaneceu escondida pela vegetação durante séculos, até ser apresentada ao mundo moderno no início do século 20.

Um dos aspectos que mais impressionam os visitantes são as sofisticadas muralhas de pedra. Imensos blocos foram cuidadosamente cortados e encaixados sem o uso de argamassa, formando paredes que parecem verdadeiros quebra-cabeças. A precisão do trabalho é tamanha que, em muitos pontos, não é possível sequer passar uma lâmina entre as pedras.

A técnica de construção também contribuiu para a resistência das estruturas aos terremotos, frequentes na região andina. Os incas desenvolveram um sistema de encaixe que permitia às pedras absorver parte dos movimentos provocados pelos tremores sem que as paredes desabassem.

Como os incas transportaram e trabalharam blocos que pesavam toneladas em um terreno tão acidentado continua sendo tema de estudos e debates entre pesquisadores. A localização das construções e seu possível alinhamento com fenômenos astronômicos também alimentam o fascínio em torno da antiga cidade.

Estudos arqueológicos indicam que Machu Picchu foi habitada por algumas centenas de pessoas, entre agricultores, artesãos, religiosos e integrantes da elite inca. O complexo teria desempenhado funções religiosas, administrativas e residenciais.

O mundo conheceu Machu Picchu em 1911, quando o professor e explorador norte-americano Hiram Bingham, da Universidade Yale, chegou ao local acompanhado por moradores da região. Bingham procurava antigas cidades incas e acabou encontrando, entre a vegetação das montanhas, as ruínas que posteriormente ganhariam fama mundial como a “Cidade Perdida dos Incas”.

Mesmo depois de mais de um século de pesquisas, Machu Picchu ainda conserva parte de seu mistério. Localizada nas montanhas da região de Vilcabamba, a cidadela parece protegida pela própria geografia. Arqueólogos continuam estudando o complexo e seu entorno, e novas estruturas e evidências ajudam a ampliar o conhecimento sobre a sociedade que construiu e ocupou aquele lugar.

É justamente essa combinação de engenharia, história, paisagem e mistério que transforma a visita em uma experiência difícil de esquecer. Em Machu Picchu, cada parede de pedra parece esconder uma história e cada montanha ao redor reforça a sensação de estar diante de algo que sobreviveu ao tempo.

 

Na estação de Ollantaytambo começa o caminho de trem até a cidade de Aguas Calientes

A viagem até a cidadela

Chegar a Machu Picchu exige planejamento. A viagem normalmente começa em Cusco, cidade localizada a cerca de 3.400 metros de altitude e a aproximadamente 1.100 quilômetros de Lima, a capital peruana. Para quem chega diretamente de regiões de baixa altitude, recomenda-se reservar algum tempo para a aclimatação, já que a altitude pode provocar desconforto e cansaço.

Não há estrada para automóveis que chegue diretamente à cidadela. O percurso é feito por diferentes etapas, geralmente combinando transporte ferroviário e ônibus, além das opções de caminhada para quem prefere percorrer as antigas trilhas da região.

Na pequena cidade de Águas Calientes, também conhecida como Machupicchu Pueblo, concentram-se hotéis, restaurantes, lojas e os serviços utilizados pelos visitantes. Para quem deseja conhecer Machu Picchu com mais tranquilidade, passar uma noite na cidade permite organizar melhor o passeio e chegar cedo ao santuário arqueológico.

A entrada no parque é controlada e depende de ingresso e horário previamente definidos. Por isso, quem pretende conhecer uma das mais impressionantes obras da civilização inca precisa planejar a viagem com antecedência.

Depois de enfrentar o longo caminho, a recompensa surge quando as montanhas se abrem e as primeiras pedras da cidadela aparecem diante dos olhos. É nesse momento que Machu Picchu deixa de ser apenas uma fotografia conhecida no mundo inteiro e passa a ser uma experiência real: uma cidade de pedra construída nas alturas, cercada pelos Andes e ainda capaz de provocar perguntas que o tempo não conseguiu responder.

Escondida pela vegetação durante séculos, Machu Picchu voltou a chamar a atenção do mundo no início do século 20.

A cidadela domina as montanhas e o vale do rio Urubamba, em uma das paisagens mais conhecidas do Peru.

Machu Picchu está cercada pelas montanhas da Cordilheira dos Andes, em uma paisagem que ajuda a explicar o fascínio pelo local.

Os enormes blocos de pedra foram cuidadosamente cortados e encaixados pelos incas, sem o uso de argamassa.


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