I Simpósio de Enfermagem e Farmácia Oncológica destaca atuação de enfermeira navegadora e especialização farmacêutica em oncologia pediátrica e transplante de medula
Quem acompanha um paciente com câncer sabe que o tratamento vai muito além da aplicação da quimioterapia. Entre o diagnóstico e o início da terapia, há uma série de etapas que precisam acontecer no tempo certo. É justamente nessa jornada que enfermagem e farmácia têm papel estratégico. Para discutir como essas equipes podem atuar de forma cada vez mais integrada, a Funfarme realizou, nesta sexta-feira (4), o I Simpósio de Enfermagem e Farmácia Oncológica, no Centro de Convenções da Famerp.
Enfermeira navegadora acompanha paciente durante jornada oncológica
Um dos destaques do evento foi a navegação em oncologia, trabalho realizado na Funfarme por uma enfermeira navegadora — profissional que acompanha o paciente durante sua trajetória no tratamento, ajudando a organizar o cuidado, identificar necessidades e reduzir obstáculos entre o diagnóstico e a assistência.
A proposta foi mostrar, na prática, como a atuação integrada pode contribuir para reduzir o tempo até o tratamento, monitorar efeitos adversos, identificar riscos e aumentar a segurança do paciente.
“Este é o primeiro simpósio da Funfarme com foco específico na enfermagem e na farmácia oncológica. A proposta foi trazer para o evento toda a experiência que construímos na assistência e mostrar como a integração entre essas duas áreas pode fazer a diferença no cuidado ao paciente. São equipes que estão muito próximas, que conseguem trabalhar juntas no monitoramento e na identificação rápida de situações que exigem intervenção”, afirma Márcia Lanza, enfermeira coordenadora da Linha de Assistência Oncológica da Funfarme e uma das responsáveis pela organização do simpósio.
Farmacêutico atua em áreas de alta complexidade
Outro diferencial apresentado foi a atuação da farmácia oncológica em áreas de alta complexidade, especialmente na oncologia pediátrica e no transplante de medula óssea. A Funfarme conta com cerca de 50 farmacêuticos, sendo 10 deles dedicados à oncologia.
Entre esses profissionais está Paulo Roberto Zanfolim Garcia, farmacêutico clínico da oncologia da Funfarme, que possui uma atuação especializada nas duas áreas. Ele é o único farmacêutico da instituição especializado simultaneamente em oncologia pediátrica e em transplante de medula óssea, frentes que exigem conhecimento específico devido à complexidade dos tratamentos, dos medicamentos e das condições clínicas dos pacientes.
“Eu atuo em duas áreas muito específicas dentro da oncologia: a oncologia pediátrica e o transplante de medula óssea. São áreas que exigem um conhecimento bastante especializado do farmacêutico, porque lidamos com medicamentos de alta complexidade e pacientes que precisam de um acompanhamento muito próximo. Ter essa atuação especializada dentro da equipe permite que a farmácia esteja cada vez mais integrada à assistência e às decisões clínicas”, explica Paulo.
O farmacêutico participa de diferentes etapas do tratamento, desde a análise da prescrição e avaliação de possíveis interações medicamentosas até a preparação dos quimioterápicos e o acompanhamento clínico do paciente. Na Funfarme, a equipe valida aproximadamente 12 mil prescrições oncológicas por mês, alcançando cerca de 7 mil pacientes.
Tecnologia e integração ampliam segurança no tratamento
“A atuação do farmacêutico na oncologia é muito fortalecida porque envolve diretamente a segurança da medicação. Ele participa da avaliação da prescrição, da identificação de possíveis interações e riscos e do acompanhamento do paciente”, acrescenta.
A experiência da instituição foi compartilhada com profissionais de enfermagem, farmácia, médicos, residentes, acadêmicos e integrantes de equipes multidisciplinares. A programação incluiu discussões sobre gestão e liderança em oncologia, navegação do paciente, segurança e qualidade, farmácia oncológica, inovação e uso de tecnologia e inteligência artificial na assistência.
Segundo Márcia, a tecnologia também começa a ocupar espaço na rotina assistencial. “Também discutimos como a tecnologia e a inteligência artificial podem ser incorporadas à assistência e trazer benefícios para o paciente. Queremos compartilhar essa experiência e, ao mesmo tempo, ampliar essa atuação no SUS do interior de São Paulo”, finaliza.

