
A atendente Ana Luiza Xavier, do Núcleo de Saúde Digital da Funfarme, prepara atendimento entre médico e paciente com testes de áudio, vídeo e primeiras orientações ao paciente
Funfarme, maior produtor SUS do Brasil, melhora e amplia acesso à saúde pública para 1,7 milhão de pessoas com telemedicina, exames descentralizados e UTIs monitoradas a distância
Neste sábado, 19 de setembro, o Sistema Único de Saúde (SUS) completa 36 anos. Nem sempre associado à agilidade ou à alta tecnologia, o maior programa de saúde pública do mundo tem, no interior paulista, um exemplo concreto de que pode ser eficiente, humanizado e acessível à população quando investimento, gestão e inovação se encontram. É o que vem conseguindo a Funfarme, o maior complexo hospitalar do interior do Estado, referência para as cidades da região noroeste paulista e um dos maiores prestadores de serviços para o SUS no Brasil.
O complexo reúne o Hospital de Base de Rio Preto (HB), o Hospital da Criança e Maternidade (HCM), o Instituto do Câncer (ICA), o Ambulatório Geral de Especialidades, o Hemocentro de Rio Preto e Hemonúcleo de Catanduva, as unidades do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro de Rio Preto e Fernandópolis, os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) de Fernandópolis e Catanduva e unidades de teleatendimento e consultorias remotas.
Referência de atendimento em medicina de média e alta complexidade para mais de 1,7 milhão de pessoas de 102 municípios do noroeste paulista, o complexo sediado em São José do Rio Preto instituiu a saúde digital nos últimos anos para resolver problemas crônicos do SUS no interior: o acesso a médicos especialistas e a distância para boa parte das cidades atendidas, sobretudo numa região em que sua população assistida reside até a 200 quilômetros de distância.
Telessaúde: o fim das fronteiras no SUS
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| O médico proctologista Dr. Luiz Sérgio Milanez Ronchi em teleconsulta no Ambulatório de Especialidades do Hospital de Base com paciente, que está em cidade da região |
Implantado em 2024, o Núcleo de Telessaúde Funfarme foi o primeiro do tipo no Estado de São Paulo e o 27º inaugurado no Brasil, com apoio do Ministério da Saúde — que já destinou R$ 5 milhões em custeio e entregou 20 kits multimídia (notebook, smart TV e câmera de videoconferência) a municípios da região. O núcleo organiza sua atuação em cinco eixos — interno, regional/estadual, nacional, inovação e apoio aos municípios — e hoje mantém pontos de apoio em telessaúde em mais de 90 cidades.
Dentre os serviços de telessaúde, a Funfarme oferta teleconsultas, teleinterconsultas de emergência e telemonitoramento com uso de ferramenta de inteligência artificial (IA), entre outros.
O volume de atendimentos por telessaúde cresce de forma consistente: somente o teleatendimento ambulatorial somou 25.304 consultas em 2025. E, somente nos primeiros oito meses deste ano (janeiro a agosto) já aumentou ultrapassou o ano passado inteiro, alcançado 26.788 consultas, entre janeiro e agosto.
A tecnologia permite que a triagem, o retorno de consulta e a análise de exames aconteçam na cidade de origem do paciente, esvaziando tanto a fila presencial em Rio Preto quanto as estradas da região.
Um capítulo à parte, e de forte apelo humano, é a teleconsulta para pessoas privadas de liberdade: atendimentos remotos a quatro unidades prisionais da região evitaram 425 deslocamentos com escolta policial — reduzindo custo, risco e tempo de agentes públicos.
Teleinterconsulta de emergência
Em tempo real, a tecnologia permite que médicos plantonistas de cidades menores e especialistas do Hospital de Base discutam à distância os quadros clínicos de pacientes atendidos nas emergências nas instituições de saúde de Onda Verde, José Bonifácio, Jaci, Neves Paulista, Potirendaba, Poloni, Jales, Monte Aprazível, Uchoa e União Paulista. A teleemergência já permitiu que cerca de 40% dos pacientes tenham permanecido no município de origem com segurança clínica, evitando transferência para o Hospital de Base, evitando o uso de ambulâncias e ocupação de leitos no complexo hospitalar.
Descentralização diagnóstica: o exame vai até o paciente
Pelo Projeto Laboratório x Municípios, moradores de cidades menores da região deixaram de precisar viajar até São José do Rio Preto só para colher sangue ou fazer exames de rotina, muitos deles deixando de ter que percorrer 400 quilômetros na viagem de ida e volta e permanecendo o dia todo longe de casa. O laboratório do complexo, com automação de alta tecnologia, processa os exames e libera os laudos digitalmente, permitindo decisões clínicas rápidas sem o deslocamento físico do paciente.
O salto é expressivo: o número de pacientes que deixaram de se deslocar até o ambulatório saltou de 2.964, entre setembro e dezembro de 2025, para 9.750 apenas entre janeiro e agosto de 2026 — mais que o triplo. O projeto já está ativo em 22 municípios, entre eles Mirassol, Monte Aprazível, José Bonifácio, Tanabi e Ibirá.
UTIs inteligentes: cuidado intensivo sem depender da distância
O Hospital de Base é reconhecido de forma sistemática por rankings internacionais — como o HospiRank, da Global Health Intelligence — entre os hospitais mais bem equipados do Brasil e da América Latina, com destaque para sua estrutura de terapia intensiva, que inclui uma UTI Neurológica exclusiva de 20 leitos com tecnologia de ponta.
A experiência e conhecimento de suas equipes de medicina intensiva beneficia não só os pacientes do HB e HCM, mas agora também, graças à telessaúde, aos da Santa Casa de Fernandópolis. Em projeto inédito implantado este ano, o programa Tele-UTI do HB permite a integração entre seus profissionais com os do hospital de Fernandópolis. Em pouco mais de quatro meses de operação, foram 122 teleinterconsultas e 231 discussões de caso sobre 27 pacientes, com nota 97 em satisfação (NPS) e 52% dos pacientes recebendo alta direta para a enfermaria.
Democratização da robótica no SUS
O Hospital de Base foi o primeiro hospital do interior do Estado de São Paulo a adquirir a plataforma robótica Da Vinci Xi, hoje usada em cirurgias urológicas (próstata, rim e bexiga), oncológicas do aparelho digestivo e ginecológicas — sempre com uma fatia relevante dos procedimentos (cerca de 30%) destinada a pacientes do SUS.
Em abril de 2026, a instituição atingiu a marca histórica de 1.000 cirurgias robóticas, consolidando-se como referência nacional em medicina de alta tecnologia dentro do sistema público. Segundo a instituição, o HB também realizou o primeiro transplante de rim entre doadores vivos 100% robótico da América Latina pelo sistema público — um marco que, somado ao volume de cirurgias, mostra que a cirurgia robótica deixou de ser exclusividade da rede privada.
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