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Guimarães Ortega, morador de Rio Preto, assume presidência da Academia de Letras de Marília

Guimarães Ortega toma posse como presidente da Academia de Letras de Marília


O escritor e jornalista Luiz Fernando Guimarães Ortega, morador de São José do Rio Preto, assume oficialmente neste sábado (22) a presidência da Academia de Letras de Marília (ALM), instituição que ajudou a fundar em 1978 e que agora está sendo reativada após décadas de inatividade.

Nascido em Marília, em 28 de dezembro de 1953, Guimarães Ortega, como é mais conhecido, deixou a cidade ainda jovem para ingressar no Banco do Brasil. Ao longo da carreira, passou por diversas agências até se estabelecer em São José do Rio Preto, onde se aposentou como gerente da instituição.

A literatura, entretanto, sempre esteve presente em sua trajetória. Ainda jovem, cursou teatro em Marília e atuou como ator e diretor de peças teatrais. Em 1978, foi um dos vencedores de um concurso literário promovido pelo Departamento de Cultura da Prefeitura de Marília. Desde então, construiu uma carreira marcada pela poesia, pela ficção e pelo gosto de contar histórias.

Sua produção literária reúne nove livros publicados, entre eles "Passaporte para o Inferno", "Dois Caminhos", "História do Cava", "Escola de Moleque e Travessuras", "Sombras em Tempo de Sonhar" e "A Receita da Doutora Elizabeth", este último pela Editora Ativa.

Além dos livros, Guimarães Ortega também se aventurou pela música. É autor de sambas-enredo para escolas de samba e de canções classificadas em festivais musicais.

Mais de quatro décadas em São José do Rio Preto

Há mais de 40 anos, Guimarães Ortega vive em São José do Rio Preto, cidade pela qual desenvolveu forte ligação afetiva. Foi no município que cursou Jornalismo e, em 2005, venceu o Programa Cultural Municipal Nelson Seixas.

Também teve participação ativa na comunidade, presidindo uma associação de moradores de bairro e integrando o Conselho Deliberativo do Rio Preto Esporte Clube, clube pelo qual torce. A paixão pelo futebol, no entanto, cria uma situação curiosa: quando Rio Preto e Marília entram em campo, ele admite ficar dividido entre as duas cidades que marcaram sua vida.

A relação com São José do Rio Preto também resultou em um texto autobiográfico, intitulado “Minha História com São José do Rio Preto”, no qual relata sua trajetória e os vínculos construídos com o município. Clique aqui para ler esse texto.

Um dos fundadores da Academia

A história de Guimarães Ortega com a Academia de Letras de Marília começou em 4 de abril de 1978, quando, ao lado do irmão José Henrique Guimarães Ortega e de outros oito escritores, entre os quais o advogado e escritor Benjamin Soares de Azevedo, participou da fundação da instituição.

A academia permaneceu em funcionamento até o início da década de 1980. Naquele período, os irmãos Luiz Fernando e José Henrique lançaram o livro "Dois Caminhos". Com o passar dos anos, porém, a instituição acabou desativada.

No final de 2025, um grupo de escritores marilienses interessado em criar uma nova academia procurou Guimarães Ortega com uma proposta diferente: em vez de fundar uma nova entidade, reativar a academia que havia sido criada décadas antes.

Nas primeiras reuniões, os próprios escritores o indicaram para conduzir o processo de reorganização. Inicialmente, ele relutou em aceitar a missão, mas acabou cedendo diante da insistência dos colegas.

Guimarães Ortega estabeleceu para si mesmo um prazo de seis meses para colocar a Academia novamente em funcionamento e regularizar toda a documentação junto ao Cartório de Registro, Receita Federal e demais órgãos. O trabalho, porém, avançou mais rapidamente do que o previsto. Em menos de cinco meses, toda a documentação necessária já estava regularizada.

“Agora nosso papel é dar posse aos novos integrantes, reformular os estatutos para adaptá-los às normas vigentes e, depois, dar posse a uma nova diretoria”, afirmou.

O novo presidente demonstra entusiasmo com a responsabilidade assumida e garante que a distância de aproximadamente 180 quilômetros entre Marília e São José do Rio Preto não será obstáculo para o trabalho.

As reuniões da Academia serão realizadas mensalmente em formato híbrido, permitindo a participação presencial e também pela internet. “Temos vários integrantes que residem fora”, explica. Entre eles está o jornalista Luiz Carlos Fassoni, que mora em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e, segundo Guimarães Ortega, não faltou a nenhuma das reuniões realizadas até agora.

19 novos acadêmicos

A cerimônia deste sábado marcará também a posse de 19 novos acadêmicos, cada um vinculado a um patrono:

  • Márcio Cavalca Medeiros — Marcelino Medeiros;
  • Carlos Henrique Poloni Bellini — Ruben Alves;
  • Joyce Aparecida da Silva Linard — Lygia Bojunga;
  • Angélica Furtado Masson — Ruth Rocha;
  • Claudia Magali Luiz — Nise da Silveira;
  • Ariane Medeiros — Zibia Gasparetto;
  • Wilza Aurora Matos Teixeira— Rosalina Tanuri Zaninotto;
  • Zery Monteiro — Maria Firmina dos Reis;
  • Becky Henriette Gonçalves Milano — Paulo Freire;
  • Nelson Gonçalves — Anselmo Scarano;
  • Tiago de Moraes das Chagas — Maurício de Souza;
  • Mario Milani — Luiz Rossi;
  • Ramon Barbosa Franco — Osório Alves de Castro;
  • Bárbara Duarte Goes — Júlia Lopes de Almeida;
  • Maria Mortatti — Lélia Abramo;
  • Adriano Conca Patriani — José Arnaldo Bravos;
  • Oswaldo Ramos Mendes Fº — João Mesquita Valença;
  • Celso Cezário Motta — Gustavo Barroso;
  • Ana Carolina Tannus — Cecília Meireles.

Com a incorporação dos novos integrantes, a Academia passa a contar com as tradicionais 40 cadeiras, seguindo um modelo adotado por diversas academias de letras.

Segundo Guimarães Ortega, a formação original da instituição contava com 21 acadêmicos e seus respectivos patronos. Com a reativação, foram indicados outros 19 escritores para completar o quadro.

“As academias de letras têm 40 cadeiras porque seguem o modelo da Academia Francesa, criada no século 17”, explica. Segundo ele, a tradição foi posteriormente incorporada pela Academia Brasileira de Letras (ABL), fundada em 1897, que também adotou o número de 40 integrantes.

Acadêmicos da formação original

Além dos 19 novos integrantes, a Academia de Letras de Marília mantém os nomes dos 21 acadêmicos que integraram sua formação original: Josephina Chaia Pereira; Lupércio Lorenzetti; Orozimbo Luiz Giraldi; Ernesto Ravanelli; Alceu de Carvalho; Maria da Glória de Rosa; Virgílio de Godoy Bueno Filho; Adolpho Menezes de Mello; Newton José Moura; Lorival Luiz Viana; João Décio; Benedito Felipe de Souza; Jorge Hisatugo; Maria Aparecida Melges Elias; Olympia Salete Rodrigues; Benjamim Soares de Azevedo; José Henrique Guimarães Ortega; Luiz Fernando Guimarães Ortega; Álvaro César Mesquita Serva; Luiz Carlos Fassoni; e Patrícia Pereira de Mello.

Dos 21 integrantes da formação original, seis permanecem atuantes. As demais cadeiras, ocupadas por acadêmicos já falecidos, deverão ser preenchidas futuramente por novos escritores.

Um marco para a história da cidade

A reativação da Academia de Letras de Marília representa, assim, não apenas o resgate de uma instituição criada há quase cinco décadas, mas também a retomada de um espaço dedicado à literatura, à preservação da memória cultural e à valorização dos escritores da cidade e da região.

Para Guimarães Ortega, que participou da fundação da entidade em 1978 e agora retorna à instituição como presidente, o momento representa um reencontro com uma parte importante de sua própria trajetória literária.

O presidente da Academia de Letras de Marília também fez questão de registrar um agradecimento especial ao presidente da Associação Comercial e de Inovação de Marília (ACIM), pela parceria e pelo apoio à retomada das atividades da instituição.

A ACIM tem cedido espaço e disponibilizado toda a sua infraestrutura para a realização das reuniões dos acadêmicos, contribuindo diretamente para a reorganização e o funcionamento da Academia.

“Sem essa ajuda, seria ainda mais difícil para nós colocar a Academia novamente em funcionamento”, destacou Guimarães Ortega, ressaltando a importância do apoio recebido neste momento de retomada das atividades da instituição.

Parte dos integrantes da ALM durante reunião na sede da ACIM

Diretoria da ALM em reunião com o presidente da Cãmara de Marília




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