![]() |
| Palestra com Dr. Isaac Rodrigues durante evento em alusão à campanha Agosto Branco / Crédito: Divulgação/Funfarme |
Em 2025, o Serviço de Telerastreamento do Hospital de Base realizou 119 atendimentos; até junho deste ano, foram realizados 50 atendimentos
O câncer de pulmão é a quarta neoplasia mais incidente no Brasil, desconsiderados os casos de câncer de pele não melanoma. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deverá registrar 35.380 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028, sendo 18.730 em homens e 16.650 em mulheres. Apesar da alta incidência, o câncer de pulmão continua sendo a principal causa de morte por câncer no Brasil, principalmente em razão do diagnóstico tardio.
Com o objetivo de ampliar o diagnóstico precoce e fortalecer o rastreamento da doença, a Funfarme, em parceria com a Famerp, promoveu nesta quarta feira, dia 5 de agosto, a capacitação "Agosto Branco: Conscientização e Rastreamento do Câncer de Pulmão", voltada a profissionais da atenção primária, enfermagem, assistência social e demais equipes envolvidas na identificação e encaminhamento de pacientes.
O treinamento reforça a importância da identificação de pessoas que se enquadram nos critérios para o rastreamento e do encaminhamento adequado ao Hospital de Base, referência regional no tratamento oncológico.
"O diagnóstico precoce é um dos maiores desafios no enfrentamento do câncer de pulmão. Ao investir na capacitação dos profissionais da atenção primária e fortalecer o Serviço de Telerastreamento do Hospital de Base, a Funfarme amplia o acesso ao rastreamento e cria oportunidades para que mais pacientes sejam diagnosticados em estágios iniciais da doença, quando as chances de tratamento e cura são significativamente maiores. Esse trabalho integrado com a rede de saúde é fundamental para reduzir a mortalidade causada por esse tipo de câncer", afirma o diretor executivo da Funfarme, Dr. Horácio Ramalho.
![]() |
| Evento de conscientização em alusão ao Agosto Branco foi realizado na manhã desta quarta, dia 5, no Auditório Fleury |
Por meio do Serviço de Telerastreamento do Ambulatório de Especialidades do Hospital de Base, pacientes com maior risco para desenvolver câncer de pulmão são acompanhados e avaliados para a realização de exames capazes de detectar a doença ainda em fases iniciais. Em 2025, foram realizados 119 atendimentos pelo serviço. Em 2026, até junho, foram realizados 50 atendimentos, reforçando a importância do programa para ampliar o diagnóstico precoce na região.
Para o cirurgião torácico da Funfarme, Dr. Isaac Rodrigues, a capacitação da rede de atenção é essencial para que mais pacientes sejam identificados e encaminhados no momento adequado.
"É muito importante orientar as unidades encaminhadoras sobre como deve ser o cuidado com esses pacientes. Precisamos fortalecer principalmente a atenção primária, mas também envolver enfermeiros, assistentes sociais e todos os profissionais que têm contato direto com a população. Muitas vezes, são eles que identificam pacientes com perfil para iniciar o rastreamento ou que precisam de apoio para a cessação do tabagismo", afirma.
Segundo o especialista, o diagnóstico precoce é determinante para aumentar as chances de cura.
"Quanto mais cedo o câncer é identificado, maiores são as possibilidades de tratamento e de sobrevida. Muitas vezes, um pequeno nódulo no pulmão não provoca sintomas e só será descoberto por meio do rastreamento. Quando os sintomas aparecem, a doença pode já estar em estágio avançado."
Quando o paciente já apresenta sinais clínicos, deixa de ser um caso de rastreamento e passa a exigir investigação diagnóstica. Entre os sintomas que merecem atenção estão perda de peso sem causa aparente, tosse persistente, tosse com sangue, falta de ar e pneumonias de repetição ou que não apresentam melhora mesmo após tratamento.
Para Dr. Isaac, a conscientização é fundamental para mudar esse cenário.
"É um câncer grave, com alta mortalidade, mas existem estratégias para aumentar as chances de diagnóstico precoce e oferecer o tratamento mais adequado aos pacientes."
O principal fator de risco para o câncer de pulmão continua sendo o tabagismo. Fumantes apresentam risco até 30 vezes maior de desenvolver a doença em comparação aos não fumantes. Embora a enfermidade também possa acometer pessoas que nunca fumaram, os protocolos atuais de rastreamento são direcionados principalmente a fumantes e ex-fumantes que atendem aos critérios estabelecidos pelas diretrizes médicas.

