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Amadeu Amaral: o escritor que deu nome a um distrito de Marília

 

Amadeu Amaral, o jornalista e poeta que deu nome ao distrito de Marília

Nelson Gonçalves

Poucas pessoas sabem quem foi Amadeu Amaral, embora seu nome esteja presente no mapa de Marília. Criado em 10 de novembro de 1937, pela Lei Estadual nº 3.128, o distrito de Amadeu Amaral leva o nome de um dos importantes escritores, jornalistas e estudiosos da cultura popular paulista.

O último Censo Demográfico, realizado pelo IBGE em 2022, registrou 294 moradores no distrito, uma redução de aproximadamente 51% em relação ao levantamento anterior, que contabilizava 575 habitantes.

Amadeu Ataliba Arruda Amaral Leite Penteado nasceu em Capivari, em 6 de novembro de 1875. Poeta, jornalista, professor e escritor, destacou-se como autodidata de grande erudição e tornou-se pioneiro no estudo da linguagem popular do interior paulista.

Sua principal contribuição nesse campo foi a obra “O Dialeto Caipira”, publicada em 1920 e que alcançou grande repercussão editorial. O livro registra características da fala popular do interior de São Paulo e tornou-se uma referência para os estudos da língua e da cultura regional.

Em 1893, Amadeu Amaral mudou-se com a família para São Carlos, onde começou a desenvolver sua atividade jornalística e literária. Publicou seus primeiros poemas no jornal “O Popular” e trabalhou como redator do “Correio de São Carlos”, onde mantinha uma seção dedicada aos acontecimentos locais e também publicava caricaturas.

Mais tarde, mudou-se para São Paulo com o objetivo de continuar os estudos, mas não concluiu o curso secundário. A atividade jornalística, entretanto, ganhou cada vez mais espaço em sua vida. Trabalhou em importantes jornais, entre eles o “Correio Paulistano” e “O Estado de S. Paulo”.

Em 1922, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde passou a trabalhar na “Gazeta de Notícias”. Manteve também sua colaboração com “O Estado de S. Paulo”, para o qual enviava as crônicas reunidas sob o título “Bilhetes do Rio”.

A importância de Amadeu Amaral na literatura brasileira foi reconhecida com sua eleição para a Academia Brasileira de Letras (ABL), onde ocupou a cadeira 15, na vaga deixada por Olavo Bilac. Foi recebido na Academia em 14 de novembro de 1919, pelo acadêmico Magalhães Azeredo.

Seu nome permanece ligado a diferentes cidades e instituições. Em São Carlos, onde viveu parte importante de sua juventude, foi homenageado com o nome da Biblioteca Municipal, além de ruas nos bairros Vila Marcelino e Vila Lutfalla. Na capital paulista, a Sala de Imprensa da Câmara Municipal de São Paulo também recebeu seu nome.

Amadeu Amaral ainda é lembrado no meio maçônico. Seu nome foi adotado por uma loja maçônica de Sertãozinho, reforçando a presença de sua memória em diferentes espaços da cultura e da sociedade paulista.

Em Marília, entretanto, é o pequeno distrito que preserva de maneira mais direta o nome do escritor. Para os moradores de Amadeu Amaral, o nome faz parte do cotidiano. Conhecer a trajetória do homem que deu origem a essa denominação é também recuperar um pedaço da história literária, jornalística e cultural de São Paulo.

Quadro exposto na Sala de Imprensa da Câmara Municipal de São Paulo que leva o nome de Amadeu Amaral. O autor do quadro é Joaquim da Rocha Ferreira.





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