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Há 32 anos, CSPH transforma vidas no combate à dependência química

 

Internos da CSPH assistem aulas e fazem treinamentos para se recuperar das drogas

A Comunidade Terapêutica Só Por Hoje (CSPH), localizada no bairro Coqueiral, em Potirendaba, acolhe atualmente 45 homens em situação de vulnerabilidade que buscam superar a dependência química. Fundada em 1994 por iniciativa do empresário Alexandre Thomé de Souza, ativista dos direitos humanos que conheceu de perto os desafios da dependência e da recuperação, a instituição tornou-se referência na região pelo atendimento especializado e pelo trabalho de reinserção social.

A entidade conta com uma equipe multiprofissional formada por psicólogos, assistentes sociais, professores, arte-educadores, cozinheira, auxiliares de limpeza e outros colaboradores, oferecendo acompanhamento integral aos acolhidos.

O diretor responsável pela comunidade é o jornalista, sociólogo e assistente social Jessé Fernandes, estudioso da política sobre drogas e com atuação Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas (Febract) e no Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas. Segundo ele, a relação da humanidade com as drogas acompanha a história, mas ganhou uma dimensão diferente nas últimas décadas com a produção em larga escala e o consumo em massa de substâncias ilícitas.

Fernandes afirma que milhões de pessoas em todo o mundo convivem com a dependência química e defende que os usuários sejam tratados prioritariamente como pacientes, e não apenas como alvo de repressão ou preconceito. "Muitas vezes essas pessoas são vistas como vagabundas, quando, na realidade, precisam de tratamento e apoio. O problema acaba atingindo também toda a família", observa.

Ele destaca ainda que o enfrentamento ao tráfico e à dependência envolve interesses econômicos, corrupção e desafios para o poder público. Apesar das diferenças ideológicas entre os governos federal e estadual, considera que existe um consenso quanto à necessidade de investir em políticas de recuperação e acolhimento.

Fernandes reconhece que algumas comunidades terapêuticas enfrentam problemas administrativos ou violações de direitos, mas ressalta que os órgãos fiscalizadores acompanham essas situações, podendo advertir ou até descredenciar instituições que descumprem as normas. “Nossa entidade está entre as cinco mais bem avaliadas do país”, revela.

A CSPH atua em duas frentes. A primeira é a casa de passagem, que recebe usuários encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para acolhimento imediato e de curta duração. São três meses que passam ali. Na unidade de Potirendaba, 32 homens estão distribuídos em cinco dormitórios, onde recebem alimentação, atendimento técnico, oficinas, atividades socioeducativas e recreativas.

A segunda frente funciona em São José do Rio Preto, onde a comunidade mantém uma residência de acolhimento destinada à fase de reinserção social. No local, 12 homens vivem temporariamente com maior autonomia, podendo trabalhar e retomar gradualmente a convivência em sociedade.

A Comunidade Terapêutica Só Por Hoje integra a Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas (Febract), entidade que reúne cerca de 260 instituições em todo o país. Jessé Fernandes também integra o Conselho Deliberativo da federação, participando das discussões sobre o fortalecimento das políticas de recuperação e reinserção de pessoas em situação de dependência química.

Prédio da CSPH funciona ao lado de uma capela da Igreja Católica, mas não tem ligação com nenhuma religião no trabalho de recuperação de usuários de drogas


 

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