
Internos da CSPH assistem aulas e fazem treinamentos para se recuperar das drogas
A Comunidade Terapêutica Só Por Hoje (CSPH), localizada
no bairro Coqueiral, em Potirendaba, acolhe atualmente 45 homens em situação de
vulnerabilidade que buscam superar a dependência química. Fundada em 1994 por
iniciativa do empresário Alexandre Thomé de Souza, ativista dos direitos
humanos que conheceu de perto os desafios da dependência e da recuperação, a
instituição tornou-se referência na região pelo atendimento especializado e
pelo trabalho de reinserção social.
A entidade conta com uma equipe multiprofissional
formada por psicólogos, assistentes sociais, professores, arte-educadores,
cozinheira, auxiliares de limpeza e outros colaboradores, oferecendo
acompanhamento integral aos acolhidos.
O diretor responsável pela comunidade é o jornalista,
sociólogo e assistente social Jessé Fernandes, estudioso da política sobre
drogas e com atuação Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas (Febract)
e no Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas. Segundo ele, a relação da
humanidade com as drogas acompanha a história, mas ganhou uma dimensão
diferente nas últimas décadas com a produção em larga escala e o consumo em
massa de substâncias ilícitas.
Fernandes afirma que milhões de pessoas em todo o mundo
convivem com a dependência química e defende que os usuários sejam tratados
prioritariamente como pacientes, e não apenas como alvo de repressão ou
preconceito. "Muitas vezes essas pessoas são vistas como vagabundas,
quando, na realidade, precisam de tratamento e apoio. O problema acaba
atingindo também toda a família", observa.
Ele destaca ainda que o enfrentamento ao tráfico e à
dependência envolve interesses econômicos, corrupção e desafios para o poder
público. Apesar das diferenças ideológicas entre os governos federal e
estadual, considera que existe um consenso quanto à necessidade de investir em
políticas de recuperação e acolhimento.
Fernandes reconhece que algumas comunidades terapêuticas
enfrentam problemas administrativos ou violações de direitos, mas ressalta que
os órgãos fiscalizadores acompanham essas situações, podendo advertir ou até
descredenciar instituições que descumprem as normas. “Nossa entidade está entre
as cinco mais bem avaliadas do país”, revela.
A CSPH atua em duas frentes. A primeira é a casa de passagem,
que recebe usuários encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para
acolhimento imediato e de curta duração. São três meses que passam ali. Na
unidade de Potirendaba, 32 homens estão distribuídos em cinco dormitórios, onde
recebem alimentação, atendimento técnico, oficinas, atividades socioeducativas
e recreativas.
A segunda frente funciona em São José do Rio Preto, onde
a comunidade mantém uma residência de acolhimento destinada à fase de
reinserção social. No local, 12 homens vivem temporariamente com maior
autonomia, podendo trabalhar e retomar gradualmente a convivência em sociedade.
A Comunidade Terapêutica Só Por Hoje integra a Federação Brasileira de
Comunidades Terapêuticas (Febract), entidade que reúne cerca de 260
instituições em todo o país. Jessé Fernandes também integra o Conselho
Deliberativo da federação, participando das discussões sobre o fortalecimento
das políticas de recuperação e reinserção de pessoas em situação de dependência
química.
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| Prédio da CSPH funciona ao lado de uma capela da Igreja Católica, mas não tem ligação com nenhuma religião no trabalho de recuperação de usuários de drogas |
