![]() |
| É preciso redobrar a atenção para não se cair em golpes de falsas ligações de bancos |
O golpe da falsa ligação de banco tem se tornado cada
vez mais sofisticado. Criminosos utilizam diferentes estratégias para se passar
por funcionários de instituições financeiras e enganar clientes, roubando dados
pessoais e dinheiro.
Por meio de ligações telefônicas, mensagens e até
recursos tecnológicos capazes de simular o número oficial dos bancos, os
golpistas entram em contato com as vítimas fingindo ser gerentes ou
funcionários das agências.
Os criminosos empregam técnicas avançadas de manipulação
psicológica e softwares que mascaram o número de origem da chamada — prática
conhecida como spoofing — fazendo com que o telefone oficial do banco
apareça no visor do celular da vítima.
Higor de Oliveira, funcionário do Sicoob de São José do
Rio Preto, relata que, nos últimos dias, diversos clientes entraram em contato
informando terem recebido ligações de pessoas que se passavam por ele. Os
falsos atendentes afirmavam que haviam sido identificadas movimentações
suspeitas nas contas dos clientes e tentavam convencê-los a fornecer
informações bancárias.
Em muitos casos, os golpistas utilizam gravações que
simulam a central de atendimento do banco, informando sobre uma compra de alto
valor considerada suspeita ou alegando a necessidade de confirmar uma
transferência via Pix supostamente em análise. A gravação orienta o cliente a
pressionar determinada tecla caso não reconheça a transação, transferindo a
ligação para um falso atendente.
Toda a encenação é cuidadosamente planejada. Os
criminosos reproduzem sons de escritório ao fundo, utilizam músicas de espera
semelhantes às das instituições financeiras e, frequentemente, já possuem
informações como nome completo, CPF, número da agência e até parte dos dados da
conta bancária, o que aumenta a credibilidade da fraude.
A Polícia Civil investiga diversos casos registrados na
região e não descarta a possibilidade de participação de ex-funcionários de
instituições financeiras ou mesmo de vazamento de dados obtidos por meio de
ataques de hackers. Até o momento, entretanto, não há confirmação sobre a
origem dessas informações.
O delegado e professor Daniel Leal orienta que, ao
receber uma ligação desse tipo, o cliente desligue imediatamente o telefone e
não prolongue a conversa com os criminosos. "Os bandidos mascaram o número
de origem da ligação por meio de um software, fazendo parecer que a chamada vem
do banco ou até mesmo da agência onde o cliente possui conta", alerta.
Ele recomenda ainda que o cliente nunca retorne a
ligação recebida. Em caso de dúvida, o mais seguro é procurar pessoalmente sua
agência bancária ou entrar em contato pelos canais oficiais da instituição.
Tanto o delegado quanto os gerentes de bancos reforçam que nenhuma
instituição financeira solicita, por telefone, senhas, códigos de autenticação,
dados completos de cartões ou a confirmação de transações mediante o
fornecimento de informações pessoais. Também orientam que os clientes jamais
cliquem em links enviados por mensagens ou sigam instruções de supostos
atendentes durante essas ligações.
Golpe em cima de golpe
Recentemente, uma professora perdeu cerca de R$ 1.500 ao
cair no golpe da falsa ligação de uma suposta filha. Convencida de que
conversava com a filha, que contou uma história convincente afirmando ter
perdido o celular e os cartões bancários, ela foi persuadida a transferir o
dinheiro para a conta de uma suposta amiga.
Ao descobrir que havia sido vítima de um golpe, a
professora registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil e procurou sua agência
bancária em busca de orientação.
No dia seguinte, porém, recebeu uma nova ligação. Desta
vez, o interlocutor se apresentou como gerente de sua agência e afirmou que o
banco poderia ressarcir o valor perdido. Para isso, enviou um link e orientou a
cliente a informar os dados da conta e a senha bancária.
Tratava-se de mais uma fraude. O suposto gerente era, na verdade, um
integrante da quadrilha. De posse das credenciais de acesso da vítima, os
criminosos invadiram a conta e transferiram todo o saldo restante, causando um
prejuízo ainda maior.
Esse caso demonstra que os golpistas costumam agir em etapas. Depois da primeira fraude, eles voltam a entrar em contato com a vítima, explorando sua fragilidade emocional e a expectativa de recuperar o dinheiro perdido, para aplicar um novo golpe e ampliar o prejuízo.
![]() |
| O PROCON faz alertas para esse tipo de golpe |

