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A Colina das Cruzes: símbolo de fé e resistência no coração da Lituânia

Zé do Peda, com seu quadrício diante da colina das Cruzes, em Lituânia

Nelson Gonçalves, especial para a Folha2

 A poucos quilômetros da cidade de Šiauliai, no norte da Lituânia, ergue-se uma das paisagens mais comoventes da Europa. A Colina das Cruzes, ou Kryžių kalnas, reúne mais de 100 mil cruzes, crucifixos, rosários e imagens religiosas plantadas por fiéis há mais de 200 anos. Lituânia é um pequeno país europeu, com cerca de 2,8 milhões de habitantes, que faz fronteira com a Letônia, Bielorrússia, Polônia e com o enclave russo de Kaliningrado.

O fotógrafo e ativista ambiental José Geraldo de Castro, o popular Zé do Pedal, cruza 13 países da Europa pedalando um quadriciclo em campanha pelas crianças com câncer na Ucrânia e África do Sul, ficou encantado com o que viu na Lituânia. O centro histórico de Vílnius, a capital do país, lhe chamou a atenção, assim como o Castelo de Trakai e a Colina das Cruzes.  

Milhares de cruzes como se fosse um campo santo estão no local faz muitos anos

Colina das Cruzes

Ninguém sabe ao certo quando a primeira cruz foi colocada. A tradição aponta para o século XIX, após revoltas contra o Império Russo, quando famílias lituanas começaram a ir ao local para homenagear parentes mortos ou desaparecidos. Durante a ocupação soviética, entre 1944 e 1990, o regime tentou destruir o lugar por três vezes. As cruzes eram arrancadas por tratores e o morro era alagado. Mas todas as noites, lituanos voltavam para plantar novas cruzes. O gesto virou ato de resistência silenciosa.

Atualmente a colina é um mar branco de madeira e metal. Cruzes pequenas ao lado de cruzes de 3 metros, feitas à mão, com nomes, datas e orações. Há também rosários do Brasil, terços de Portugal, imagens de Nossa Senhora de Fátima e placas em dezenas de idiomas. 

O local ganhou notoriedade mundial em 1993, quando o Papa João Paulo II celebrou uma missa ali e o chamou de “lugar de esperança, paz e amor”. Desde então, peregrinos do mundo todo visitam a colina. Muitos deixam sua própria cruz como promessa, agradecimento ou memória de alguém.

Para os lituanos, a Colina das Cruzes é mais que um ponto turístico. É memória viva de um povo que manteve sua fé mesmo sob proibição. Não há ingressos, nem guias oficiais. Só vento, madeira rangendo e milhares de histórias fincadas na terra.

A Colina das Cruzes fica a 12 km de Šiauliai. A entrada é gratuita e o local pode ser visitado o ano todo. O melhor horário é no início da manhã ou no fim da tarde, quando a luz destaca as centenas de cruzes no horizonte.

Zé do Pedal iniciou em maio uma jornada de 7.700 quilômetros, partindo da Noruega em direção à Portugal, passando por 13 países europeus. Ele já percorreu cerca de 2000 quilômetros passando pela Noruega, Finlândia, Estônia e Letônia. De Lituânia ele seguirá para a Polônia, Ucrânia, Alemanha, Holanda, Bélgica, França, Espanha e Portugal. A chegada para a final dessa jornada está prevista para o dia 25 de dezembro em Lisboa.  Zé do Pedal é integrante do Lions International, onde já foi presidente do Lions Clube de Viçosa (MG) e governador de Distrito.

A grande quantidade de cruzes fincadas na colina dá um visual diferente

Zé do Pedal pedala seu quadríciclo por 13 países da Europa

Zé do Pedal passando pela Estônia

Zé do Pedal enfrentou o frio rigoroso da Noruega

Zé do Pedal chegando na Finlândia

Trajeto a ser percorrido por Zé do Pedal na Europa


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