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Grande Loja Maçônica de São Paulo celebra 99 anos com concerto de gala na Sala São Paulo

Sala São Paulo é considerada como uma das maiores e melhores casas de espetáculo do mundo

 

Nelson Gonçalves, especial para a Folha2

A Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo (GLESP), a maior potência maçônica da América Latina, com cerca de 900 lojas jurisdicionadas e mais de 24 mil maçons, comemora neste mês de julho seus 99 anos de fundação, dando início às celebrações do centenário que será festejado em 2027.

Para marcar a data, o Grão-Mestre Jorge Anísio Haddad promove um concerto de gala na Sala São Paulo, um dos mais importantes espaços culturais do país. A apresentação ficará a cargo da Orquestra Sinfônica Carlos Gomes, ligada à própria GLESP e reconhecida por seu repertório diversificado e pela excelência artística.

Instalada no complexo cultural da histórica Estação Júlio Prestes, a Sala São Paulo é considerada uma das melhores salas de concerto do mundo para apresentações de música clássica. Com capacidade para 1.498 espectadores e 22 camarotes, abriga a sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), referência nacional e internacional desde 1954.

Projetada de acordo com os mais modernos padrões internacionais de acústica, a sala possui cerca de 10 mil metros quadrados e impressiona pela tecnologia de seu teto móvel. Quinze painéis de madeira, pesando aproximadamente 7,5 toneladas cada, podem ser ajustados individualmente por meio de cabos metálicos, permitindo alterar o volume interno do ambiente entre 12 mil e 28 mil metros cúbicos. O sistema garante a acústica ideal para cada tipo de concerto, respeitando as características sonoras de cada composição.

Fachada da antiga e histórica Estação Júlio Prestes em São Paulo


Patrimônio histórico

A Estação Júlio Prestes, onde está localizada a Sala São Paulo, começou a ser planejada em 1924, durante o governo de Washington Luís. As obras tiveram início em 1926 e foram concluídas doze anos depois. O prédio foi construído para ser a sede da Estrada de Ferro Sorocabana, empresa criada pelos barões do café e dirigida por importantes maçons, entre eles Ubaldino do Amaral Fontoura (1842-1920), o imigrante austro-húngaro Luís Mateus Maylasky (1838-1906) e Francisco de Paula Mayrink (1839-1906).

Diversos materiais utilizados na construção foram importados da Inglaterra, como as ferragens das monumentais portas e janelas, preservadas até hoje em excelente estado de conservação. Não tem um marco sequer de ferrugem. Parte significativa das paredes recebeu revestimento em mármore de Carrara, conferindo imponência ao edifício. Boa parte do piso preserva os antigos azulejos portugueses.

O nome da estação homenageia Júlio Prestes, governador de São Paulo eleito presidente da República em 1930, mas impedido de tomar posse em razão da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder.

O projeto arquitetônico foi desenvolvido pelo engenheiro Christiano Stockler das Neves, inspirado nas grandes estações ferroviárias de Nova York e da Pensilvânia, em estilo neoclássico. Atualmente, o edifício é tombado como patrimônio histórico pelo Condephaat.

Maestro Ricardo Rossetto rege a Orquestra Carlos Gomes


Orquestra Carlos Gomes

Fundada em 2009, a Orquestra Sinfônica Carlos Gomes leva o nome do maior compositor brasileiro de óperas e, desde sua criação, é regida pelo maestro Ricardo Rossetto Mielli, atual Grande Mestre de Harmonia da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo.

Bacharel em Composição e Regência e pianista diplomado pelo tradicional Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, Ricardo Mielli destaca-se pela sólida formação musical e pela facilidade de comunicação com diferentes públicos.

A orquestra reúne um corpo artístico formado por 14 violinos, duas violas, sete violoncelos, dois contrabaixos, quatro flautas, um oboé, dois clarinetes, três saxofones, cinco trompetes, três trombones, uma trompa, uma tuba e quatro percussionistas. Grande parte dos músicos é composta por maçons, e os ensaios são realizados na sede da GLESP.

O repertório é bastante eclético, abrangendo música de câmara, obras sinfônicas, óperas, hinos e arranjos contemporâneos. As apresentações percorrem diferentes períodos da história da música, do barroco ao contemporâneo, com obras de Johann Sebastian Bach, Antonio Vivaldi, Joseph Haydn e Heitor Villa-Lobos.

Em homenagem ao patrono da orquestra, o maestro campineiro Antônio Carlos Gomes, o programa também inclui trechos de suas principais óperas, como O Guarani, Fosca e Salvator Rosa, além de interpretações de canções consagradas da música popular brasileira.

Sala São Paulo, a maior sala de espetáculos da América Latina


As placas de madeira podem fazer o teto ser rebaixado entre 12 a 25 metros de altura

Cabos de aço seguram as placas de madeira que pesam 7,5 toneladas

Hall de entrada da Sala São Paulo, onde estão as estátuas das deusas da mitologia grega

Grão-Mestre Jorge Haddad estará a frente das comemorações dos 100 anos da GLESP


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