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Anselmo Scarano: o jornalista que ajudou a construir a história de Marília

O jornalista Anselmo Scarano é homenageado como patrono da Cadeira 31 da Academia de Letras

 

 Anselmo Scarano, que mais tarde adotou o pseudônimo Penaforte em seus artigos, tornou-se um dos mais importantes e respeitados jornalistas de Marília. Sua atuação ultrapassou o jornalismo: esteve envolvido na fundação e consolidação de diversas instituições sociais, culturais e recreativas da cidade. Ele será homenageado, emprestando seu nome como patrono da cadeira nº 31 da Academia de Letras de Marília (ALM), a ser ocupada pelo jornalista Nelson Gonçalves, editor da Folha2.

Fundada em 1978, a Academia de Letras de Marília está sendo reativada por um grupo de jornalistas e escritores marilienses. Diversas reuniões já foram feitas, inclusive com a participação de quatro fundadores: Benjamim Soares de Azevedo, Luiz Carlos Fassoni e os irmãos Luiz Fernando Guimarães Ortega e José Henrique Guimarães Ortega.   

Natural de Torrinha (SP), Anselmo Scarano nasceu em 8 de novembro de 1918, coincidentemente no dia do fim da Primeira Guerra Mundial. Filho de imigrantes italianos — Miguel Scarano, natural de Nápoles, e Izolina Ferrer Scarano, de Veneza —, cresceu ao lado dos irmãos Antônio, Emílio, Valdomiro, Maria e Noêmia.

Chegou a Marília em 1928, aos 10 anos de idade, no mesmo ano da fundação do jornal “Correio de Marília”. A viagem foi feita de trem até Garça e, de lá, seguiu de jardineira até o destino final. Logo conseguiu trabalho como entregador no jornal, então pertencente a Alfredo Augusto Araújo e seu filho, Raul Roque Araújo (1896–1964).

Trajetória marcante no município

Anselmo Scarano durante entrevista para a Comissão de Registros Históricos da Câmara


Sua trajetória no “Correio de Marília” foi marcada pela dedicação e versatilidade. Começou como jornaleiro, passou pela gráfica, setor comercial e redação. Em 1937 assumiu o cargo de gerente gráfico e, em 1948, a direção geral do jornal. Após a morte dos fundadores — Alfredo, em 1952, e Raul, em 1964 —, a sucessora Olga Ferraz Araújo doou o jornal a Scarano, em 1985, reconhecendo nele o mais antigo e fiel colaborador da empresa.

Em depoimento ao programa “Retrato Cultural”, da TV Câmara, Scarano resumiu sua ligação com a cidade: “Cheguei aqui com 10 anos e nunca arrumei minhas coisas para sair de Marília. Sonhei ter mudado, mas acordei feliz por ter sido apenas um sonho. Eu não fui atrás da história. Foi a história que veio ao meu encontro.”

Figura respeitada, transitava com naturalidade entre autoridades como prefeitos, deputados e governadores. Relembrando os primeiros anos, destacou as dificuldades da época: “Minha mãe morava numa casa de tábua na rua República. Não havia asfalto nem água encanada. Bati palmas na porta do jornal e fui contratado. O senhor Raul colocou uma vassoura em meus braços e pediu para eu varrer a oficina. Depois fui gráfico, repórter, redator, até que um dia assumi o peso da direção do jornal.”

Ao longo da vida, manteve princípios firmes: “Nunca agredi as pessoas e nunca abracei uma causa que não fosse a favor da cidade”. Aos mais jovens, iniciados no Jornalismo, ele costuma dizer que o jornal “Correio de Marília” era como se fosse uma faculdade para a formação de bons profissionais.

Em reconhecimento à sua contribuição, recebeu em 1985 o título de Cidadão Mariliense. Em 2005, foi homenageado pelo Rotary Club Marília Pioneiro com a Medalha do Pioneiro, concedida a personalidades com destacada atuação social. Na ocasião, a presidente do clube, Vera Lúcia Marques da Costa, ressaltou: “São incalculáveis as iniciativas sociais de Anselmo Scarano dentro do ‘Correio de Marília’, jornal fundado antes mesmo do município.”

Em 1989, Scarano vendeu o jornal ao empresário Juan Arquer Rubio, proprietário das Óticas Iguatemy e de um grupo de comunicação que incluía emissoras de rádio e o jornal Diário. Três anos depois, em 1992, o “Correio de Marília” deixou de circular, sendo incorporado ao “Diário”. Após seu falecimento, em 5 de outubro de 2016, seu nome foi eternizado, em 2013, nos estúdios da TV Câmara de Marília.

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Anselmo Scarano e seu inseparável amigo, o fotografo Sebastião Carvalho Leme

Anselmo Scarano e sua esposa Liger, com quem teve quatro filhos


O jornal "Correio de Marília" anunciou a criação do município










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