
Todo o elenco foi aplaudido em pé pelo público presente no Teatro GTR
Com a
peça “Ponto de Partida”, o Teatro GTR, completamente lotado, recebeu a estreia
dessa montagem da Cia. Vírus de Arte, que emocionou o público ao revisitar um dos episódios
mais marcantes da ditadura militar. Escrita por Gianfrancesco Guarnieri na
década de 1970, a peça tem como pano de fundo a morte do jornalista Vladimir
Herzog, assassinado sob tortura pelo regime, crime que à época foi encoberto
com a falsa versão de suicídio.
O
espetáculo deveria ter estreado no ano passado, mas foi adiado após a morte
repentina do diretor Walter Máximo, aos 76 anos, vítima de infarto. Segundo a
atriz e produtora Claudia Maria, o grupo precisou se reorganizar emocionalmente
antes de retomar o projeto. Ao final da apresentação de estreia, o elenco
prestou uma homenagem simbólica ao diretor, surgindo em cena com boinas cinza, marca
registrada de Walter, e convidando sua esposa e filho para subirem ao palco.
Com a
retomada dos ensaios, a direção ficou a cargo de Manoel Neves Filho, com
assistência de Gustavo Gutierrez. Além de Claudia Maria, integram o elenco
Paulo Zanqueta, Benedito Mazetti, Clarice Papani, Daniel Lopez, Elizabete
Faria, Everton Fonseca, Flávio Silva, Maria Augusta Rocha e Camila Gouveia. O figurino
é assinado por Marta Fuscaldo Collinete, mantendo a concepção estética
idealizada por Walter Máximo, e a iluminação é de Thiago Benicchio. Uma nova
apresentação está marcada para o dia 14 de março, às 19h, no Teatro GTR.
![]() |
| Cenas da peça "Ponto de Partida", estreada sábado no Teatro GTR |
![]() |
| Público aplaude em pé o elenco da peça ao final da apresentação |
![]() |
| Os aplausos foram ainda maiores quando anunciaram que o uso da boina era homenagem ao diretor Walter Máximo, pois a boina era marca característica dele |
![]() |
| Governo militar confundiu Herzog com comunista. O jornalista trabalhava na TV Cultura e nunca esteve envolvida com quaisquer tipo de militância política |
Morte de Herzog em 1975
O crime que vitimou Vladimir Herzog ocorreu em 25 de outubro de 1975, durante a ditadura militar no Brasil. Jornalista e diretor de jornalismo da TV Cultura, Herzog foi convocado a prestar depoimento no DOI-Codi do 2º Exército, em São Paulo, órgão de repressão do regime. No mesmo dia, apareceu morto nas dependências do quartel.
As autoridades divulgaram a versão de que ele teria cometido suicídio, mas
as evidências apontavam tortura e assassinato. A foto divulgada pelos
militares, mostrando Herzog supostamente enforcado, apresentava inconsistências
que reforçaram a suspeita de execução.
O caso gerou grande comoção nacional e internacional, culminando em um ato
ecumênico na Catedral da Sé, que reuniu milhares de pessoas e se tornou um
marco na mobilização da sociedade civil contra a ditadura. Anos depois, o
Estado brasileiro reconheceu oficialmente que Vladimir Herzog foi morto sob
tortura, e o episódio passou a simbolizar a luta pelos direitos humanos e pela
redemocratização do país.
Vladimir nasceu em 1937, na então Iugoslávia (atual Croácia), com o nome de
Vlado Herzog, em uma família judia. Veio ainda criança para o Brasil, fugindo
da perseguição nazista na Europa, e naturalizou-se brasileiro. Tornou-se
jornalista e diretor de jornalismo da TV Cultura, sendo uma das vítimas mais
emblemáticas da repressão durante a ditadura militar brasileira. Por causa do
seu sobrenome, a ditadura imaginava que ele seria algum espião comunista infiltrado
nos meios de comunicação.




