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| Com 45 metros de altura o obelisco em homenagem à Espanha encontra-se instalado no início da Avenida José Munia, defronte ao Plaza Shopping |
Depois de dois anos à frente da Casa de Espanha em São José do Rio Preto, a empresária Astéria Cristini Fernandes Scucuglia Quintana deixará o cargo nos próximos dias. Assumirá a presidência da instituição o engenheiro Amaury Hernandes, tendo como vice-presidente Paulo Sérgio Romero Vicente Rodrigues. Integram ainda a diretoria, na área de comunicação, os jornalistas Sorroche Neto, Roberto Toledo e Mário Soler.
Com 238 associados, todos descendentes de espanhóis, a Casa de Espanha possui sede compartilhada com o Consulado Honorário da Espanha no Plaza Shopping. O cônsul da Espanha na região é Pablo de Montesino, e o ex-ministro da Agricultura Antônio Cabrera Mano Filho atua como vice-cônsul.
A imigração espanhola para o Brasil intensificou-se a partir do final do século 19, sobretudo após a abolição da escravidão, ocorrida em 13 de maio de 1888. A necessidade urgente de mão de obra levou o governo brasileiro a incentivar a vinda de trabalhadores estrangeiros, principalmente para a agricultura. Entre as décadas de 1880 e 1930, milhares de espanhóis deixaram seu país, fugindo de crises econômicas e sociais, e encontraram no Brasil a esperança de uma vida melhor, sobretudo nos cafezais paulistas e, em menor escala, no setor urbano.
Entre 1880 e 1969, ingressaram no Brasil cerca de 711 mil espanhóis, número expressivo, superior ao de japoneses (247.312) e alemães (208.142), ficando atrás apenas dos portugueses (1.604.080) e italianos (1.576.220). Eram, em sua maioria, camponeses de origem humilde, muitos oriundos da Galiza e da Andaluzia. Aproximadamente 80% fixaram-se no estado de São Paulo, seguidos pelo Rio de Janeiro, especialmente na zona portuária, e pela Bahia.
Segundo estudo elaborado em 2013 pelo professor e pesquisador Henry Marcelo Martins da Silva, na região noroeste paulista havia grande presença de estrangeiros na década de 1920. São José do Rio Preto, então com cerca de 40 mil habitantes, possuía aproximadamente 22 mil estrangeiros, dos quais mais de 8 mil eram espanhóis. Em 1940, os espanhóis correspondiam a 34% do total de estrangeiros no município. No estudo, há ainda declaração de Ellis Júnior, responsável por um recenseamento, afirmando que relatório da Secretaria da Agricultura observava que o imigrante espanhol era, em média, menos instruído do que o italiano, sendo a porcentagem de analfabetos entre os espanhóis de 53,71%.
A publicação “Álbum de Rio Preto”, de 1929, destacava entre os imigrantes espanhóis nomes como Rosendo Martinez, fundador, em 1920, da Associação Comercial do município, onde exerceu o cargo de segundo tesoureiro na primeira diretoria. Também figuravam como destaques os comerciantes Francisco Vidal, Hemetrio Pascua Valle e o engenheiro Eduardo Campoó, proprietários de grandes estabelecimentos à época. Já Manuel Reverendo Vidal, vereador e chefe político local, era considerado o maior produtor de café do município.
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| Diretoria reunida tendo ao centro Amaury Hernades (de barba) e a atual presidente Astéria |
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| As obras do obelisco começaram em 2021 e foram concluídas em 2024 |


