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Quem é o senhor da caixa de aveia? A história por trás do rosto da Quaker

Wllian Penn, da seita religiosa dos Amigos, embora a empresa nega, mas foi a inspiração para o desenho do velho estampado nas embalagens da aveia Quaker 

 

Nelson Gonçalves, especial para a Folha2

Pouca gente passa pelo corredor do supermercado sem lançar um olhar curioso ao simpático senhor estampado na caixa da centenária aveia Quaker. Quem é, afinal, o velho — ou a velha --, como alguns brincam, que há mais de um século representa a marca?

Desde 1957, a imagem do personagem acompanha as embalagens da aveia, mas, nos últimos anos, passou por uma discreta transformação. O rosto perdeu peso, ganhou cerca de cinco anos a menos e os ombros passaram a aparecer com mais destaque. As rugas permaneceram, para que o personagem não ficasse “jovem demais”. A mudança faz parte de uma estratégia da Quaker — que pertence à Pepsi desde 2000 — para manter a marca atual, sem romper com sua tradição. Segundo Homal Anderson, responsável pelo redesenho, a principal diretriz foi a sutileza: a ideia era que quase ninguém percebesse que o “velho da Quaker” estava diferente.

O personagem foi criado em 1957 pelo ilustrador norte-americano Haddon Sundblom, o mesmo artista responsável pelo icônico Papai Noel da Coca-Cola. O logotipo da Quaker tornou-se uma das imagens mais reconhecidas do mundo e foi uma das primeiras marcas registradas associadas a um cereal de café da manhã. Fundada em 1877, a empresa mantém-se viva na memória afetiva dos consumidores há mais de 148 anos.

O nome Quaker foi escolhido por seu fundador, Henry Parsons Crowell, após ele ler sobre os quakers em uma enciclopédia. As qualidades atribuídas ao grupo religioso, tais como integridade, honestidade e pureza, pareciam ideais para associar ao produto, e não houve hesitação na escolha.

O velho "tremendão"

A palavra inglesa "quaker" significa “tremedor” ou algo relacionado a tremer. O termo surgiu como um apelido dado aos membros da Sociedade Religiosa dos Amigos, uma seita cristã surgida na Inglaterra no século 17. Insatisfeitos com a Igreja Anglicana, os Amigos, como preferiam ser chamados, adotavam práticas religiosas intensas, chegando a tremer e balançar durante as pregações, o que acabou gerando o apelido.

Um de seus principais líderes, "o tremendão" foi o escritor e teólogo inglês William Penn (1644–1718). Em 1681, ele recebeu do rei Carlos 2º uma vasta área na América do Norte, correspondente ao atual estado da Pensilvânia, assim batizado em sua homenagem. Perseguidos na Inglaterra, muitos quakers migraram para os Estados Unidos, atraídos pela liberdade religiosa. Penn fundou a cidade de Filadélfia, que se tornou um importante centro da seita. Defensor da democracia e da tolerância religiosa, ele também foi um dos primeiros a apoiar a ideia de unificação das colônias que dariam origem aos Estados Unidos da América.

Apesar das semelhanças físicas entre o personagem da embalagem e William Penn, a Quaker afirma que não há ligação direta com o líder religioso nem com a seita. A empresa sustenta que o personagem não representa uma pessoa específica. Oficialmente, ele atende apenas pelo nome de Larry — um homem vestido com trajes quakers, símbolo dos valores que a marca deseja transmitir.

Há 148 anos, dos quais 69 no Brasil, a aveia Quaker é líder de mercado


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