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Com fim das concessões, orelhões começam a sair das ruas do país

O cabeleireiro Valdir Feltrin e o vendedor Carlos Gomes utilizaram por muitos anos os aparelhos instalados na Praça da Matriz de Mendonça 

 

Nelson Gonçalves, especial para a Folha2

Os telefones públicos, que no Brasil ganharam o apelido de orelhões e chegaram a ser um símbolo nacional, estão sendo retirados das ruas de todo o país. Quase indispensáveis no passado, os orelhões tornaram-se praticamente obsoletos com a popularização dos telefones celulares.

A retirada dos aparelhos ocorre porque, no ano passado, se encerraram as concessões dos serviços de telefonia fixa das cinco empresas que operavam no Brasil. A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) autorizou o fim da obrigatoriedade de manutenção desses equipamentos nas vias públicas, em razão do desuso generalizado provocado pelo avanço da telefonia móvel.

 A remoção, no entanto, não acontece de forma imediata em todos os locais. O processo é gradual, e os orelhões deverão ser mantidos apenas em cidades ou regiões onde não há cobertura de rede de celular. Segundo a Anatel, em 2020 o Brasil contava com cerca de 202 mil orelhões em funcionamento. No início de 2026, esse número não passa de 40 mil.

O vendedor Carlos Gomes possui coleção com mais de 800 cartões telefones, alguns raros e até ainda com créditos para serem usados nos aparelhos


Coleção de cartões telefônicos

O vendedor Carlos Roberto Gomes relembra que, durante muitos anos, hospedava-se em um hotel defronte à Praça da Igreja Matriz de Mendonça e utilizava o orelhão ali instalado para se comunicar com a família, em São Paulo. “Como era o único aparelho da praça, às vezes havia até fila de espera para poder usar o orelhão”, recorda. O uso frequente despertou nele o gosto pela coleção de cartões telefônicos.

 Gomes guarda até hoje, em uma pasta, mais de 800 cartões, todos diferentes. Alguns são considerados verdadeiras relíquias, como os quatro que formam a bandeira do Brasil, além de cartões de times de futebol, personagens históricos e imagens das principais cidades brasileiras. Periodicamente, a antiga Telesp lançava cartões temáticos, bastante disputados pelos colecionadores. “Chegaram a me oferecer mais de dois mil reais pela minha coleção, porque entre os cartões tenho muitos que são raridades”, conta.

O cabeleireiro Valdir Rubens Feltrin também se lembra da importância dos orelhões. Segundo ele, um dos aparelhos próximos ao seu salão, além de fazer ligações, também recebia chamadas. “Era muito comum alguém ficar esperando na frente do orelhão ele tocar para atender uma ligação que estava aguardando”, relembra.

O cabeleireiro Valdir e o vendedor Carlos Gomes relembram o tempo em que utilizavam os orelhões instalados na Praça da Igreja Matriz de Mendonça




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