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| Cirurgião urológico Gabriel Santos, em procedimento no Austa Hospital |
O câncer de próstata é o tumor mais frequente entre os homens brasileiros, depois dos cânceres de pele não melanoma, e ainda assim muitos só procuram o urologista quando a doença já avançou. Na campanha Novembro Azul, o urologista e cirurgião urológico Gabriel Gustavo dos Santos, do Austa Hospital, chama a atenção para um dado que deveria mudar essa postura: quando o tumor é descoberto cedo e está restrito à próstata, a cirurgia pode curar.
“Os brasileiros precisam cuidar melhor da saúde e se prevenirem, em particular, em relação ao câncer de próstata, cujos casos vêm aumentando no país”, alerta o cirurgião urológico. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no Brasil entre 2026 e 2028, acima dos 71.730 previstos para 2025. A doença responde por mais de 16 mil mortes anuais no país, segundo dados divulgados por especialistas durante a campanha.
Para dr. Gabriel, o aumento tem duas explicações principais. "A população está envelhecendo, e o risco cresce com a idade. Além disso, mais homens fazem exames e, por isso, mais casos são diagnosticados. Esse segundo ponto é positivo, porque encontrar o tumor cedo é o que permite curar", afirma. .jpeg)
Cirurgião urológico Gabriel Santos, em procedimento no Austa Hospital
O urologista também observa mudança no perfil de quem chega ao consultório. "Vemos mais homens na faixa dos 50 anos, e alguns ainda mais jovens, com diagnóstico de câncer de próstata, muitas vezes por causa de histórico familiar ou de exames feitos de forma preventiva", relata.
Os homens têm mais um motivo para realizarem exames com frequência, pois os avanços dos tratamentos cirúrgicos aumentaram as chances de cura. Segundo o médico do Austa Hospital, o tratamento cirúrgico padrão é a prostatectomia radical, que remove a próstata e as vesículas seminais e, em casos selecionados, os linfonodos da região pélvica. Indicada principalmente para tumores localizados ou localmente avançados, a operação tem intenção curativa.
"Quando o câncer está restrito à próstata, retirar a glândula com margens livres é a forma mais direta de eliminar a doença. A cirurgia também permite analisar todo o material e saber com precisão o estágio do tumor, o que orienta o acompanhamento depois", explica Gabriel. “A possibilidade real de cura é grande quando o diagnóstico é precoce. A Sociedade Brasileira de Urologia estima chance de até 98% em pacientes com tumor localizado e sem metástase”, completa o médico do Austa Hospital.
Entre os procedimentos, o urologista destaca a cirurgia laparoscópica e robô assistida, realizada por pequenas incisões, com o uso de câmera e instrumentos finos, o que tende a reduzir sangramento, dor e tempo de internação. os procedimentos preconizam a preservação ampla do plexo vásculo-nervoso, dois “cordões” finos, um de cada lado da próstata, formados por nervos e pequenos vasos sanguíneos. "Sempre que o tumor permite, o cirurgião procura poupar estes nervos responsáveis pela ereção e as estruturas ligadas ao controle da urina, para reduzir o risco de impotência e incontinência urinária", ressalta dr. Gabriel.
Ter atitude preventiva é fundamental, segundo o urologista, pois o câncer de próstata em fase inicial costuma ser silencioso. "Quando aparecem sintomas, muitas vezes a doença já avançou. Por isso não podemos esperar sentir algo para procurar o urologista", alerta o cirurgião urológico.
O médico recomenda aos homens ficarem atentos a sintomas como a dificuldade para urinar ou jato fraco, necessidade de urinar com frequência, principalmente à noite, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, sangue na urina ou no sêmen e dor nos ossos, na coluna ou na região pélvica, em fases mais avançadas. Esses sinais também podem ocorrer em doenças benignas, como o aumento da próstata, o que reforça a necessidade de avaliação médica.
A investigação começa com a consulta ao urologista, o exame de sangue PSA (antígeno prostático específico) e o exame de toque retal, que se complementam. Quando há alteração, o médico pode indicar ressonância magnética da próstata e biópsia para confirmar o diagnóstico. A recomendação da SBU é que o acompanhamento comece aos 50 anos, ou aos 45 para homens com maior risco, como os que têm histórico familiar da doença e os negros.
Não existe uma forma comprovada de evitar o câncer de próstata, mas hábitos saudáveis ajudam na saúde geral e podem reduzir riscos: manter o peso adequado, praticar atividade física, ter alimentação equilibrada, evitar o tabagismo e moderar o álcool. A principal "prevenção" é o diagnóstico precoce, com consultas e exames regulares.
