![]() |
| Theodomiro, o homem que implantou a primeira faculdade de engenharia elétrica |
Nelson Gonçalves, especial para a Folha2
A criação da escola teve como idealizador Theodomiro Carneiro Santiago (1882–1936), advogado, educador e político mineiro cuja visão de futuro contribuiu para transformar o ensino tecnológico no Brasil. Seu grande propósito era ajudar o país a superar a condição predominantemente agrícola e avançar rumo à industrialização, formando profissionais preparados para os desafios de uma nova realidade econômica.
Biografia de Theodomiro Santiago
Nascido em Itajubá, no Sul de Minas Gerais, na região da Serra da Mantiqueira, Theodomiro era filho do Coronel João Carneiro Santiago Júnior e de Lucinda Pereira Santiago. Pertencia a uma família com influência nos círculos intelectuais e políticos de sua época. Era cunhado de Wenceslau Braz, que posteriormente chegaria à Presidência da República.
Ainda jovem, estudou em Barbacena e, aos 20 anos, ingressou no curso de Direito em Belo Horizonte. Posteriormente, transferiu-se para a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, onde concluiu sua formação em 1906.
Aos 25 anos, assumiu a direção do Ginásio de Itajubá, instituição à qual dedicou parte de sua juventude. Também participou da criação do Instituto Dom Bosco, voltado à educação de crianças carentes, que posteriormente daria origem à Escola de Horticultura.
Embora formado em Direito, sua verdadeira paixão estava no desenvolvimento tecnológico e na educação profissional. Em 1912, viajou pela Europa e pelos Estados Unidos para conhecer métodos de ensino, contratar professores estrangeiros e adquirir equipamentos para laboratórios. A viagem fazia parte de um projeto ambicioso: criar em Itajubá uma escola de engenharia com ensino voltado à prática e às necessidades da indústria.
Instituto Eletrotécnico de Itajubá
O resultado foi a fundação, em 23 de novembro de 1913, do Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá. A solenidade de inauguração contou com a presença do presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca, e do vice-presidente, Wenceslau Braz. A instituição nasceu com a proposta de formar engenheiros mecânicos e eletricistas, tornando-se uma referência pioneira no ensino tecnológico brasileiro.
A trajetória de Theodomiro também foi marcada pela atividade política. Aos 32 anos, assumiu a Secretaria das Finanças de Minas Gerais. Durante sua passagem pelo governo, contestou judicialmente atos de seu antecessor, Arthur Bernardes, relacionados a um empréstimo destinado à construção de um cassino. Na disputa, contou com a atuação do jurista Rui Barbosa, mas não obteve êxito.
Decepcionado por não conseguir viabilizar sua candidatura ao governo mineiro na sucessão de Delfim Moreira, acabou derrotado politicamente por Arthur Bernardes, que assumiu o comando do Estado. Retornou a Itajubá, onde foi recebido com uma grande manifestação popular.
Em 1921, elegeu-se deputado federal, exercendo mandatos até 1930, quando Getúlio Vargas dissolveu o Congresso Nacional. Por razões políticas, teve de deixar o país e se exilar em Portugal, de onde retornou após a anistia de 1933. Naquele mesmo ano, tentou novamente chegar ao governo de Minas Gerais, mas o eleito foi Benedito Valadares.
Em 1935, voltou a conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Ficou conhecido também por sua postura firme e pela frase que se tornou uma de suas marcas: “Fatos, não palavras”.
Theodomiro Santiago morreu no Rio de Janeiro, em 25 de outubro de 1936. Seus restos mortais foram posteriormente trasladados para Itajubá, onde repousam em um mausoléu insalado no prédio histórico da instituição que idealizou e que hoje leva seu nome por meio da Fundação Theodomiro Santiago.
[A escola que nasceu de sua visão pioneira passou por importantes transformações ao longo das décadas. Em 1936, recebeu o nome de Instituto Eletrotécnico de Itajubá (IEI). Foi federalizada em 1956 e, em 1968, passou a se chamar Escola Federal de Engenharia de Itajubá (EFEI). Em 2002, alcançou o status de universidade, tornando-se a atual Universidade Federal de Itajubá (Unifei).
Mais de um século depois, a instituição continua representando o legado de um homem que acreditou na educação, na ciência e na tecnologia como instrumentos fundamentais para o desenvolvimento do Brasil.
Famosos que estudaram em Itajubá
Entre os ex-alunos que ganharam projeção na comunidade científica internacional estão Antônio Carlos Zambroni de Souza, pesquisador do Instituto de Sistemas Elétricos e Energia (ISEE), reconhecido internacionalmente como um dos cientistas mais influentes do mundo; o professor e pesquisador Antônio Fernando Branco Costa, do Instituto de Engenharia de Produção e Gestão (IEPG); além de Paulo Fernando Ribeiro, Electo Eduardo Silva Loura e Dimas Alberto Ferreira. Todos também figuram em levantamentos internacionais que destacam pesquisadores e engenheiros de maior impacto científico global.
![]() |
| Sede da UNIFEI, a Universidade Federal de Itajubá |
![]() |
| Mapa mostra onde está instalada a faculdade na cidade de Itajubá |


