Folha2

Albert Sabin, o Rotary e a luta contra a paralisia infantil

 

Vacina da gotinha é para crianças de até 5 anos de idade

 

Durante décadas, a poliomielite, conhecida popularmente como paralisia infantil, foi uma das doenças que mais assustavam as famílias brasileiras. Muitas crianças morriam ou sobreviviam com sequelas permanentes, que comprometiam os movimentos das pernas e, em casos graves, até a capacidade de respirar. Quem viveu aquela época certamente se lembra das cenas de crianças com dificuldades para caminhar e da angústia dos pais diante de uma doença que parecia não ter solução.

 Essa realidade começou a mudar com o avanço da ciência e o desenvolvimento das vacinas. Um dos nomes fundamentais dessa história é o do médico e pesquisador Albert Sabin, nascido na Polônia e radicado nos Estados Unidos, que desenvolveu a vacina oral contra a poliomielite, popularizada no Brasil como a vacina da gotinha.

 A vacina de Sabin, aplicada por via oral, tornou-se um marco na prevenção da doença. Sua utilização facilitou a realização de campanhas de vacinação em massa, permitindo que milhões de crianças fossem imunizadas. A vacina oral foi licenciada em 1962 e, nos anos seguintes, passou a integrar campanhas de saúde pública em diversos países.

 O papel do Rotary

Se Albert Sabin teve papel decisivo no desenvolvimento da vacina oral, o Rotary International tornou-se um dos grandes protagonistas da mobilização mundial para combater a poliomielite.

 Em 1985, o Rotary lançou seu programa internacional de imunização contra a pólio, comprometendo-se a contribuir para um mundo livre da doença. Desde então, rotarianos de diferentes países passaram a mobilizar comunidades, arrecadar recursos, apoiar campanhas de vacinação e trabalhar em parceria com governos e organizações de saúde.

 Essa atuação ganhou dimensão ainda maior com a iniciativa Pólio Plus, lançada em 1985, e com a parceria global que reuniu o Rotary, a Organização Mundial da Saúde, o UNICEF e outras instituições. O objetivo é proteger todas as crianças contra a poliomielite e impedir que o vírus continue circulando.

 O trabalho do Rotary vai muito além da arrecadação de recursos. Rotarianos participam da conscientização das famílias, da divulgação da importância da imunização e do apoio às campanhas que levam as vacinas às comunidades. É um exemplo de como a mobilização da sociedade civil pode contribuir para salvar vidas.



 Uma conquista que precisa ser preservada

O Brasil passou mais de três décadas sem registrar casos de poliomielite causados pelo vírus selvagem, resultado de um longo esforço de vacinação e vigilância epidemiológica. O último caso registrado no país ocorreu em 1989. Entretanto, a redução das coberturas vacinais representa um risco, pois a doença ainda não foi erradicada em todo o mundo.

A desinformação e a circulação de notícias falsas sobre vacinas também dificultam o trabalho das autoridades sanitárias e dos profissionais de saúde. Por isso, é fundamental que as famílias procurem informações confiáveis e mantenham a vacinação das crianças em dia, conforme as orientações das autoridades de saúde.

A história de Albert Sabin e o trabalho do Rotary deixam uma lição que atravessa gerações: a ciência oferece os meios para prevenir doenças, mas é a participação coletiva que ajuda a transformar esse conhecimento em proteção para toda a população.

A gotinha que tantas vezes vimos ser colocada na boca das crianças representa muito mais do que algumas gotas de vacina. Simboliza uma conquista da medicina, o compromisso de milhares de voluntários e a esperança de que nenhuma criança precise sofrer as consequências devastadoras da poliomielite.



 

Postagem Anterior Próxima Postagem

vários

Folha2
Folha2