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Apelidos curiosos e inusitados chamam atenção nas urnas nas eleições de 2026

Candidatos aproveitam semelhança com Lula e Bolsonaro para utilizarem seus nomes como apelidos para as urnas eletrônicas


Nelson Gonçalves, especial para a Folha2 

O registro das candidaturas para as eleições deste ano revela uma verdadeira coleção de nomes curiosos, engraçados e inusitados. Entre os candidatos, há quem recorra a apelidos relacionados a profissões, características físicas, regiões, animais, alimentos e até a personalidades famosas para tentar conquistar a simpatia e, consequentemente, o voto dos eleitores.

A legislação eleitoral permite que o candidato utilize o nome pelo qual é conhecido, podendo optar por prenome, sobrenome, cognome, nome abreviado ou apelido. A escolha, porém, precisa deixar clara a identidade do candidato. O nome destinado à urna também está sujeito a regras: pode ter até 30 caracteres e não pode atentar contra o pudor ou ser considerado ridículo ou irreverente pela Justiça Eleitoral.

Entre os registros que chamam atenção está o do pecuarista Vilmar Rigo, candidato a deputado federal pelo Novo, no Mato Grosso, que adotou o nome de urna “Bolsonaro da Shopee”. O apelido faz referência à semelhança física com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível e cumpre pena de 27 anos em regime domiciliar.

Outro candidato que aproveitou uma semelhança física com uma personalidade política é o médico Célio José de Morais, do PL, que concorre à Câmara dos Deputados por São Paulo utilizando o nome “Lula do Bem”, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em Minas Gerais, o piloto de avião Plínio Vicentin Junior disputa pela primeira vez uma vaga de deputado federal e incorporou o nome "Trump" à sua identidade eleitoral. Nas redes sociais, também utiliza referências ao presidente dos Estados Unidos, como a frase “Make Minas great again”, uma adaptação do conhecido slogan utilizado por Donald Trump.

Famosos também emprestam seus nomes

A música e a televisão também aparecem entre as inspirações dos candidatos. Em Goiás, o carpinteiro e marceneiro Walcy Calixto Vieira concorre a deputado estadual pelo PT utilizando o nome “Mick Jagger”. Apontado como sósia do vocalista dos Rolling Stones, ele já utilizou o mesmo nome em eleições anteriores.

O apresentador Gugu Liberato, morto em 2019, também aparece entre os nomes registrados nas urnas. Em Sergipe, Liberato Ferreira Antão concorre a deputado estadual pelo Avante utilizando “Gugu Liberato”.

Em Minas Gerais, o candidato Geraldo Faustão Viana Nicodemos, bombeiro civil e concorrente a deputado estadual pelo PP, utiliza “Faustão”. Nesse caso, porém, o apelido também faz parte do próprio nome do candidato.

Da comida ao “Zé Ninguém”

Alguns candidatos optaram por nomes relacionados a alimentos e situações do cotidiano. Entre eles estão “Farofa”, “Macarrão”, “Bolacha”, “Mortadela” e “Minduim”.

O sociólogo Alex Sandro Gomes, candidato a deputado federal pelo PT, utiliza o apelido “Minduim”, que também esteve presente em seus registros eleitorais anteriores.

Já o servidor público Jeferson Luís de Melo concorre a deputado federal utilizando “Bolacha”. No Rio Grande do Sul, o empresário Ariel Joel Brandão, do PSDB, adotou “Mortadela” como nome de urna.

Outro nome que chama atenção é “Zé Ninguém”, utilizado pelo candidato Emerson Cruz de Oliveira, que disputa uma vaga de deputado federal pelo Rio de Janeiro. Ele não é novato na política e já concorreu outras sete vezes a diferentes cargos utilizando o mesmo apelido, sem conseguir se eleger. Mesmo assim, decidiu manter o nome na nova disputa.

Na Bahia, Tcharles Dannilo Costa da Silva concorre a deputado federal pelo PDT como “Gordinho do Momento”. Influenciador e comunicador, ele construiu sua trajetória ligada às festas de vaquejada realizadas pelo sertão baiano utilizando o mesmo apelido.

Apelidos que carregam histórias

Alguns nomes de urna possuem histórias particulares. No Amazonas, Carlos Alberto Brito D’Ávila concorre a deputado estadual utilizando “Pai Amado”. Ele já foi vereador em Manaus e recebeu o apelido quando trabalhava em uma empresa distribuidora de energia.

Segundo sua história, antes de realizar atividades consideradas de risco, costumava fazer círculos de oração e se referia a Deus como “Pai Amado”. Os colegas passaram a chamá-lo dessa forma e o apelido acabou se tornando sua marca política.

Em Pernambuco, Edmar de Oliveira e Silva concorre pelo PL utilizando “Trezoitão”, em referência ao revólver calibre 38. O candidato já disputou oito eleições utilizando o mesmo apelido. Mas não se elegeu em nenhuma delas.

Em São Paulo, o motorista Edivaldo Abençoado dos Santos concorre a deputado federal pelo PL com o nome “Abençoado”, que também faz parte de seu próprio nome.

Animais e outros personagens

Os animais também inspiram alguns candidatos. O candidato João Marcos Cruz de Oliveira, do PSDB de São Paulo, escolheu “Rinoceronte” como nome de urna.

Ainda em São Paulo, a jornalista Vanessa Santana, estreante nas urnas, concorre a uma vaga na Câmara Federal utilizando o apelido “Mãe Leoa”.

A variedade de nomes mostra que, além das propostas e dos partidos, os candidatos também apostam na criatividade para se tornar conhecidos pelos eleitores. Em meio a milhares de nomes registrados para as eleições de 2026, conquistar espaço na memória do eleitor pode começar justamente por um apelido diferente — e, muitas vezes, impossível de passar despercebido.

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