Especialista alerta que o inverno exige atenção redobrada das famílias, já que muitos idosos apresentam sinais discretos antes do agravamento do quadro de saúde
O inverno representa um desafio para a saúde da população idosa que vai muito além das gripes e resfriados. As baixas temperaturas aumentam o risco de infarto, desidratação, agravamento de doenças pulmonares, perda de mobilidade e quedas dentro de casa. Em muitos casos, os primeiros sinais são discretos e acabam passando despercebidos pelos familiares.
Com o avanço da idade, o organismo perde parte da capacidade de regular a temperatura corporal. Somadas às doenças crônicas e ao uso contínuo de medicamentos, essas alterações tornam os idosos mais vulneráveis durante o frio.
Para Joseli Ferreira Angelini Fantini, mestre em Enfermagem e coordenadora clínica da Rede Vitória Spa, especializada no cuidado de idosos, é preciso observar mudanças que muitas vezes não são associadas a problemas de saúde.
"A febre nem sempre aparece. Muitas vezes, os primeiros sinais são sonolência, confusão mental, fraqueza, perda de apetite, redução da ingestão de líquidos, tosse persistente ou dificuldade para respirar. Qualquer mudança de comportamento merece atenção e avaliação médica."
Além das infecções respiratórias, o frio pode sobrecarregar o sistema cardiovascular. As temperaturas mais baixas provocam a contração dos vasos sanguíneos e elevam o esforço do coração, aumentando o risco de complicações em pessoas que já convivem com hipertensão, insuficiência cardíaca e outras doenças crônicas.
Outro problema frequente é a desidratação. Mesmo nos dias frios, o organismo continua precisando de água, mas muitos idosos sentem menos sede e acabam ingerindo menos líquidos do que o necessário. Hábitos comuns nesta época também merecem atenção. Banhos muito quentes favorecem o ressecamento e pequenas lesões na pele, o excesso de roupas pode limitar os movimentos e aumentar o risco de quedas, enquanto ambientes fechados e sem ventilação facilitam a circulação de vírus respiratórios.
Durante o inverno, a Rede Vitória Spa intensifica o acompanhamento dos moradores com monitoramento da hidratação, controle da temperatura dos ambientes, reforço dos cuidados com a pele e acompanhamento constante dos sinais vitais e de possíveis sintomas respiratórios. A fisioterapia e as atividades físicas também são mantidas, com adaptações, para preservar a força muscular e a mobilidade.
As baixas temperaturas ainda podem agravar a constipação intestinal, provocar fissuras na pele e aumentar o isolamento social, condição que favorece quadros de ansiedade e depressão entre os idosos.
"Pequenas atitudes fazem toda a diferença nesta época do ano. Incentivar a hidratação, manter a vacinação em dia, evitar o excesso de roupas e observar qualquer mudança de comportamento ajudam a prevenir complicações e reduzem o risco de internações", destaca.
Entre as principais recomendações estão oferecer água ao longo do dia, mesmo sem que o idoso manifeste sede, manter a vacinação atualizada contra influenza e Covid-19, vestir roupas em camadas para facilitar a adaptação à temperatura, manter os ambientes aquecidos e ventilados e procurar atendimento médico diante de sinais como confusão mental, dificuldade para respirar ou fraqueza intensa.
Atualmente, a Rede Vitória Spa atende entre 25 e 29 idosos em Rio Preto e integra uma rede formada por outras nove unidades no Estado de São Paulo e uma em Minas Gerais, oferecendo atendimento multiprofissional especializado e assistência humanizada.
