![]() |
| Anísio Haddad em 1951 sendo entrevistado por vários jornalistas |
Nelson Gonçalves, especial para a Folha2
Anísio
Haddad (1927–1978) foi um dos mais notáveis empresários e esportistas de São
José do Rio Preto, deixando uma marca profunda no desenvolvimento econômico e
social da cidade. Filho de imigrantes libaneses, destacou-se desde cedo pelo
espírito empreendedor e pela capacidade de inovação.
Atuou
com destaque no comércio e na prestação de serviços, sendo responsável pela
implantação e expansão da Empresa Telefônica de Rio Preto, além de investir em
loteamentos e contribuir de forma decisiva para a fundação do grupo Rodobens.
Sua trajetória empresarial foi marcada por dinamismo e visão de futuro,
especialmente nas décadas de 1950, 1960 e 1970.
Filho
do comerciante Moysés Miguel Haddad e de Najla Mussi Haddad, proprietários da
tradicional Casa Moysés e da Empresa Telefônica de Rio Preto, Anísio assumiu os
negócios da família ao lado dos irmãos, ampliando suas atividades por toda a
região e pelo estado. Em 1973, a empresa foi incorporada pela Telesp,
consolidando sua importância no setor.
Além
de empresário, Anísio Haddad teve papel relevante no esporte e na vida social
rio-pretense. Em 1956, então com 29 anos, durante uma viagem a São Paulo, encantou-se com uma nova
modalidade que surgia: o futebol de salão. Trouxe consigo um livro de regras e
uma bola, introduzindo o esporte no Rio Preto Automóvel Clube, então reduto da
elite local. Em pouco tempo, a modalidade se popularizou e o clube tornou-se
referência no estado.
Sua
atuação esportiva também se destacou no futebol. Foi presidente do Rio Preto
Esporte Clube entre 1969 e 1977, período em que liderou, ao lado de outros
dirigentes, o projeto que levou o clube à primeira divisão do Campeonato
Paulista. Em 1973, a equipe alcançou a divisão especial, passando a enfrentar
grandes times do cenário nacional. Em reconhecimento, o estádio do clube leva
hoje o seu nome.
Anísio
também presidiu o Automóvel Clube de 1971 a 1974, reforçando sua presença na
vida social da cidade. Paralelamente, atuou em diversas frentes: foi
vice-presidente do Grupo Verdi, ligado à Rodobens; investiu no setor de
combustíveis e transporte; destacou-se como criador de gado nelore de elite e
também como investidor no mercado financeiro.
Seu
envolvimento comunitário foi igualmente expressivo. Presidiu a Igreja Ortodoxa,
a FAMERP, a APAE e a FRESA, além de atuar como conselheiro da ACIRP. Em 1972,
foi eleito “Homem do Ano” pela associação comercial, reconhecimento que
evidenciou sua importância para o município. Na ocasião, sua trajetória foi
registrada em reportagem exibida nos cinemas pela Cometa Filmes.
Na
vida pessoal, era casado com Beny Maria Verdi Haddad, com quem teve quatro
filhos: Gisela, Márcio, Juliane e Cristiane.
Morte prematura no trem
No dia 6 de janeiro de 1978, Anísio Haddad decidiu fazer uma pausa para descansar com a família e amigos no Guarujá. A esposa e os filhos já tinham ido uns dias antes. Ele e os amigos embarcaram no trem noturno, com chegada prevista para as 7h30, em São Paulo. Por volta das 6h45, iniciaram-se os preparativos para o desembarque. No entanto, a porta da cabine 14 não se abria.
Com a intervenção do guarda-trens, a cabine foi finalmente aberta. E veio a constatação trágica: Anísio Haddad estava morto, aos 50 anos de idade. Segundo os médicos, ele havia sofrido um infarto fulminante por volta das 22 horas da noite anterior.
A morte de Anísio Haddad interrompeu precocemente uma trajetória brilhante. Seu legado, no entanto, permanece vivo. Seja no desenvolvimento empresarial, no fortalecimento das instituições ou na história esportiva de São José do Rio Preto, Anísio Haddad é lembrado como um homem à frente de seu tempo: um verdadeiro construtor do progresso local.
![]() |
| Anísio Haddad deixou seu nome cravado na história de São José do Rio Preto |
![]() |
| Anísio e Beny, durante o casamento em São José do Rio Preto |
![]() |
| Beny e Anísio Haddad formavam um casal perfeito |



