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| O israelense Michael Winetzki é uma pessoa diferenciada no Brasil |
Nelson
Gonçalves, especial para a Folha2
Michael Winetzki, que faleceu em 20 de abril de
2026, foi uma personalidade singular. Figurava diferenciado entre os nomes mais
conhecidos e respeitados do Rotary e da Maçonaria, destacando-se pela constante disposição
em servir como estudioso, pesquisador, escritor e palestrante de elevado nível.
Assíduo e generoso, realizava visitas semanais a
diversas lojas, levando consigo uma sacola sempre repleta de livros, que fazia
questão de compartilhar com os irmãos. Dotado de oratória brilhante, emocionava
os presentes ao narrar suas experiências de vida, enfatizando, a todo momento,
a responsabilidade e a honra de ser maçom.
Em setembro de 2025, atuou como coordenador-geral
da 30ª Jornada Maçônica do Brasil. À época de seu falecimento, dedicava-se à
reorganização da Biblioteca da Grande Loja, com o propósito de digitalizar integralmente
o acervo — trabalho que já vinha desenvolvendo em sua biblioteca particular,
composta por mais de 4.000 obras, atualmente disponibilizadas no site
michelpalestrante.com.br. Na plataforma, é possível acessar dezenas de vídeos
de autoajuda, com cerca de dois minutos cada, além de algumas de suas obras,
como “Manual de Oratória e Persuasão”, “O Caminho da Felicidade nos
Negócios” e “Arca de Nóe e Um Casamento feliz e Duradouro”.
Nascido em Israel, em 1950, na cidade de Hadera, dois
anos após a criação oficial do país — decorrente da proposta da ONU de partilha
da região em estados judeu e árabe —, mudou-se ainda criança, aos 6 anos, com a
família para o Brasil, estabelecendo-se no interior paulista. Estudou Química
Industrial em Sorocaba e cursou Direito nas Universidades de Petrópolis e
Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Sua curiosidade multifacetada, contudo,
levou-o a trilhar caminhos diversos.
Especializou-se em comércio internacional,
participando de treinamentos de vendas e marketing no Brasil e nos Estados
Unidos. Dedicou-se também à mineralogia e à geologia, com ênfase na
identificação e classificação de pedras preciosas e materiais orgânicos.
Realizou cursos de extensão em Artes Plásticas, História e Antropologia, além
de desenvolver grande interesse por misticismo e religiões comparadas.
Tornou-se colecionador de obras de arte e minerais, além de bibliófilo,
reunindo uma expressiva biblioteca com mais de 4.000 volumes.
Iniciou sua trajetória profissional na IBM, onde,
aos 22 anos, foi reconhecido como um dos 10 melhores vendedores do Brasil.
Posteriormente, repetiu esse destaque em empresas como Sharp e Exata
Computadores. Aos 25 anos, mudou-se para Campo Grande (MS), onde atuou como
empresário nos ramos joalheiro, de turismo, utilidades domésticas e
alimentação.
Nesse período, ingressou no Rotary, onde exerceu
funções como secretário, editor de boletim e palestrante em conferências.
Durante 10 anos, foi editor da revista “Tribuna Rotária”. Liderou
delegações de estudos profissionais para Israel e Japão e, já em Brasília,
presidiu o Rotary Cruzeiro. Como conferencista, realizou palestras em mais de
400 clubes rotários no Brasil, abordando temas como “Mais se beneficia quem
melhor serve”, “A arte de ser família” e “O Caminho da Felicidade”. Também
levou suas palestras a diversos países, entre eles Alemanha, Argentina,
Bélgica, Bolívia, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Havaí,
Holanda e Israel.
Michael foi ainda um dos pioneiros na introdução da
telemedicina no Brasil, atuando como dirigente de empresas de tecnologia
médica, entre elas a Card Guard Scientific Survival, de origem israelense,
dedicada ao desenvolvimento de equipamentos de monitoramento de saúde. Também
exerceu atividades na área de gestão de empresas de cartões de crédito.
Maçonaria
Foi iniciado na Maçonaria em 1981, na Loja “Estrela
do Sul”, em Campo Grande (MS), alcançando o Grau 33 em 1989. Ao longo de
sua trajetória, ocupou diversos cargos, entre os quais o de Venerável Mestre, e
integrou outras oficinas, como a Loja “José do Patrocínio”, em
Valparaíso (GO), até fixar residência na Baixada Santista, filiando-se, em
2019, à Loja “Tríplice Aliança nº 341”, em Mongaguá. Pelo menos uma vez
a cada 15 dias subia a serra até São Paulo para se dedicar na organização da
Biblioteca da GLESP.
Era membro da Academia Maçônica Brasileira (AMB) e
presidente da Academia Maçônica Virtual Brasileira de Letras. Segundo Izautino
Machado, que o sucedeu na presidência, sua trajetória foi marcada por profunda
dedicação às letras, à cultura e à Maçonaria: “Ele foi, sem sombra de dúvidas,
um dos mais rutilantes vultos da maçonaria brasileira, possuidor de inestimável
acervo de serviços prestados à Ordem e à sociedade”.
Na Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo
(GLESP), foi nomeado pelo Sereníssimo Grão-Mestre Jorge Haddad como Grande
Bibliotecário, além de integrar o Conselho Editorial da revista “A Verdade”.
Uma semana antes de seu falecimento, reuniu-se com um dos membros do Conselho
Editorial, na residência de sua mãe, no bairro Santa Cecília, para tratar de
novos projetos para a publicação.
Filantropo incansável, destinava integralmente os
honorários de suas palestras e a renda obtida com a venda de seus livros à
aquisição de materiais escolares, alimentos e outros bens para entidades e
comunidades carentes por onde ministrava suas atividades. Fazia questão de
enfatizar a caridade não apenas em discursos, mas sobretudo na prática.
Colaborador da revista Consciência e do
jornal Tribuna Maçônica, manteve-se ativo até seus últimos dias,
ministrando palestras em congressos maçônicos e instituições paramaçônicas,
como as Ordens DeMolay, Filhas de Jó e Arco-Íris, deixando um legado marcante
de conhecimento, dedicação e fraternidade.
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